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Como Diadema melhorou os seus índices de violência

Renato de Castro

06/08/2018 04h00

Cidadãos experimentam a tecnologia de reconhecimento facial no estande da Face ++ durante a Exposição de Segurança Pública da China em Shenzhen, China, em 30 de outubro de 2017. Foto: Reuters

Estamos a um mês da divulgação do ranking de cidades inteligentes brasileiras de 2018. Dia 04 de setembro será o grande dia! Acontecerá em São Paulo em um evento de dois dias chamado Connected Cities. Desde a primeira lista em 2015, pequenas, médias e grandes cidades brasileiras vêm disputando o protagonismo nacional no tema Smart Cities.

Para a definição do ranking nacional, as cidades são divididas em três categorias conforme o número de habitantes (até 100 mil, entre 100 a 500 mil e acima de 500 mil). Elas são analisadas em 11 setores: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, empreendedorismo, governança e, claro, segurança. Neste quesito, 6 indicadores são levados em consideração, entre eles: o número de homicídios e acidentes de trânsito e o efetivo de policiais, guardas-civis municipais e agentes de trânsito.

São Paulo (cidade) foi a grande campeã nacional nos dois últimos anos. Em relação à segurança, as cidades do estado de São Paulo também têm se destacado ano após ano no ranking. Para se ter uma ideia, em 2017 o estado levou o primeiro lugar nas três categorias. São Bernardo do Campo ficou em primeiro no ranking entre as cidades de mais de 500 mil habitantes; Paulínia levou o título da categoria entre 100 e 500 mil e Vinhedo, localizada a 75 km da capital, ficou em primeiríssimo lugar entre os municípios com menos de 100 mil pessoas.

Vinhedo conta atualmente com 1,94 policial, guarda-civil municipal e agente de trânsito por mil habitantes. Segundo o estudo Mapa da Violência, a taxa média de homicídios por arma de fogo na cidade é de 5 por 100 mil habitantes. Existem 295 cidades paulistas com taxa de homicídios superior a esta. Outro ponto superimportante que destaca Vinhedo é o investimento de R$ 220 por habitantes em despesas de segurança.

Mas a pergunta que você deve estar se fazendo é como melhorar os índices de segurança de cidades que tradicionalmente têm um histórico negativo. Sabemos que os fatores que influenciam a segurança não dependem somente do município. Por exemplo, cidades localizadas em regiões de baixa renda ou áreas controladas por milícias ou por traficantes acabam influenciado diretamente a dinâmica da segurança municipal.

Políticas assertivas e projetos de cidade inteligente são capazes de mudar essa realidade. Um dos casos internacionais mais famosos da atualidade é o de Medellín, na Colômbia. Em 1991, a cidade registrou 7273 assassinatos, representando uma taxa de 266 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em 2017 esse número se reduziu a “somente” 19 mortes violentas por 100 mil pessoas. O sucesso de Medellín vem da combinação de estratégias de reurbanização da cidade, do foco nos setores sociais e de educação e, mais recentemente, dos altos investimentos em segurança pública. O aumento do quadro de policiais, de 726 agentes de segurança em 2011 para 7.000 no ano passado, e as 1.200 câmeras de vigilância, sendo 100 com reconhecimento facial, seguramente ajudam a cidades nesta árdua função de melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos.

No Brasil também temos casos similares. Uma destas cidades é Diadema. Cravada na região industrial de São Paulo conhecida como grande ABC(D) paulista. O município tem atualmente pouco mais de 400 mil habitantes, sendo o 14º mais populoso do estado. Em 1997, de acordo com o Datasus do Ministério da Saúde, a cidade chegou aos assombrosos 140 homicídios por cada 100 mil habitantes, para entender melhor basta lembrar dos cinco de Vinhedo que mencionei antes! Esses números deram à cidade na época o status de “A cidade mais violenta do Brasil”. Porém, nada comparado a Medellín, claro!

Mesmo com melhoras significativas nos números, a cidade ainda sofre para mudar a percepção nacional (e local) em relação a segurança. Os números ainda não são provavelmente suficientes para colocar a cidade entre as melhores do ranking Connected Cities 2018, mas estão melhorando constantemente. No mês de maio deste ano, a secretária de comunicação de Diadema, Carla Dualib, esteve na Suíça como convidada do prestigiado evento AI for Good 2018 -Inteligência Artificial para o Bem- da ITU (Agência de Telecomunicações da ONU), para apresentar os avanços da cidade.

Muitos novos projetos, principalmente no que tange à segurança, estão na fase de planejamento. Segundo o secretário de segurança do município, Coronel PM Marcel Soffner, a utilização de tecnologias de ponta como inteligência artificial, drones e visão computacional estão no roadmap do município. Além disso, a inteligência artificial será utilizada também para prestar assistência a cada vez mais mulheres na Casa Beth Lobo, que oferece serviço especializado no atendimento de mulheres vítimas de violência. A Central de Atendimento acolhe mulheres vítimas de violência doméstica, recebendo demandas espontâneas ou encaminhamentos de diversos serviços. Segundo a primeira-dama e secretária de Assistência Social e Cidadania, Caroline Rocha, essas inovações são importantes para o futuro da cidade.

Você está pronto para começar a tornar a sua cidade mais inteligente e um lugar melhor para viver? Nos vemos então na próxima semana.

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.

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