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Você acha que o nosso trânsito é caótico? Relaxe, você ainda não viu nada

Renato de Castro

25/03/2019 04h00

O "Big Brother" da mobilidade urbana: informação em tempo real de dentro dos ônibus e dos táxis. Foto: UYM – Traffic Control Istanbul

Hoje vamos continuar a minha aventura pelas ruas da capital do glorioso Império Otomano – Istambul, a metrópole de quase 200 km de extensão, que divide os continentes europeu e asiático, e tem um dos piores trânsitos do mundo. Estima-se que os residentes gastem em média 50% a mais do tempo normal de deslocamento em longos engarrafamentos diários, perdendo somente para Bangkok (57%), na Tailândia, e para a Cidade do México, com 59%.

E como o Brasil se compara a isso? Se engana quem pensa que estamos tão longe desses números. Nosso querido (e sofrido) Rio também se destaca neste ranking, com 47%, seguido por Salvador e Recife, com 43%, segundo o relatório de 2016 da empresa Merrill Lynch. Confesso que senti falta de São Paulo, Mumbai e Nova Deli, na Índia, e de Dhaka, capital de Bangladesh, no mapa global, mas já dá para ter uma ideia de que o caos no trânsito urbano não é um problema exclusivo das cidades tupiniquins.

Aproveitamos a passagem por Istambul e visitamos o Centro de Controle de Transporte Urbano da prefeitura de Istambul. Embora bem menor que o COR – Centro de Operações do Rio de Janeiro – do Rio de Janeiro em relação ao tamanho das instalações, o Centro faz parte de um hub de 4 centros de controle pertencentes ao município.

Imagem: Slides Grupo Seixas

No total, eles já contam com quase 2.000 câmeras de trânsito e impressionantes 6.000 câmeras dentro dos veículos de transporte públicos: ônibus, vans e táxis. Um verdadeiro "Big Brother" da mobilidade urbana. Fomos recebidos pela superssimpática, Ayşegül Çalışkan, coordenadora do centro, que nos mostrou a operação e revelou um pouquinho dos segredos desse projeto.

O mais interessante aqui é que a tecnologia foi 100% desenvolvida (tanto hardware, quanto software) pela empresa de tecnologia do município chamada ISBAK. Trata-se de um modelo de empresa pública, mas com fins lucrativos, que pode vender suas soluções de sucesso e que está cada vez mais popular. Já imaginou se nossas cidades no Brasil pudessem também vender suas boas práticas e ideias? Teríamos, provavelmente, funcionários públicos supermotivados, trabalhando em ambientes no modelo StartUp e melhor ainda: comissionados e com participação nos lucros! Você acha que funcionaria no Brasil?

Assista então ao vídeo 360º exclusivo que eu fiz "infiltrado" no coração do Centro de Controle de Transporte Urbano de Istambul. Aproveite também para dar uma praticada no seu inglês, você vai ver que é mais fácil de entender do que você imagina! 😉

Se você conhece algum modelo semelhante no Brasil ou gostaria simplesmente de compartilhar suas ideias, deixe seus comentários abaixo e terei muito prazer em respondê-los – a todos, como sempre.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana diretamente dos confins deste mundão supertecnológico e definitivamente sem fronteiras!

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.