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Como o interesse por robôs impulsiona a igualdade de gênero na tecnologia?

Renato de Castro

17/12/2019 04h00

Divulgação

Já faz algum tempo que venho discutindo nos meus textos a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela cúpula das Nações Unidas, em 2015, que devem orientar as políticas nacionais e atividades de cooperação internacional ao longo da próxima década.

 Os 17 ODSs englobam 169 metas divididas em diversos temas, como erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, água e saneamento, energia, crescimento econômico sustentável, infraestrutura, redução das desigualdades, cidades sustentáveis, padrões sustentáveis de produção e consumo, mudanças climáticas, uso sustentável dos oceanos e ecossistemas terrestres.

Ao longo dos últimos anos, notei o crescimento da conscientização em relação ao objetivo número cinco, cuja meta é alcançar a igualdade entre os gêneros e empoderar todas as mulheres e meninas. A igualdade entre homens e mulheres pode até soar para muitos como uma coisa normal, mas, acreditem, ainda temos muito caminho a percorrer pela frente.

Os objetivos das Nações Unidas devem ser uma causa de todos: governos, empresas privadas e sociedade precisam unir forças para alcançá-los. Eu acredito que estamos no caminho certo, afinal, áreas como engenharia e tecnologia da informação, antigamente compostas por uma maioria masculina, deverão, em um futuro não tão distante, ter um quadro muito mais equilibrado com um aumento significativo de mulheres. Ações que buscam incentivar a robótica entre crianças e adolescentes têm surtido efeito positivo no aprendizado e despertado o interesse de meninos e meninas pelo assunto.

Para se ter uma ideia, mais de cinco mil estudantes de todo o Brasil estão inscritos para participar dos torneios regionais de robótica promovidos pelo SESI, que é o operador oficial da First Lego League no país desde 2013. Desse total, 43% dos estudantes (aproximadamente 2200) são meninas, um dos maiores índices da competição. Os profissionais do SESI responsáveis pela edição no Brasil comemoram o resultado.  "Em 2018, 41% dos inscritos eram meninas. O crescimento neste ano mostra que estamos no caminho certo e que nossa abordagem para divulgar a robótica tem alcançado também o público feminino, deixando-o super a vontade para se engajar com a tecnologia", diz o diretor de operações do SESI nacional, Paulo Mol.

De uma forma geral, nota-se um crescimento significativo da presença feminina na área da ciência, que é a base da inovação. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e o relatório "Elsevier Gender in The Global Research Landscape" (Gênero no cenário da pesquisa global, em tradução livre) de 2017, as mulheres respondem por 40% dos pesquisadores em nove das 12 regiões geográficas analisadas que incluem, entre elas, a União Europeia (28 países do bloco), Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil.  Se analisado somente o Brasil, curiosamente a relação de gênero, em número de pesquisadores, está quase equilibrada: 49% dos autores de pesquisas e artigos científicos são mulheres. No período de 2011 a 2015, a participação de mulheres cresceu 11% no país, índice semelhante ao da Dinamarca.

Apesar do número positivo, estamos somente no início desta mudança e precisamos continuar promovendo a causa. Me recordo que o CEO de uma empresa francesa cancelou sua participação no evento "London Tech Week" por não haver participação feminina em determinado painel.  O mais bacana é que, segundo ele, uma norma da empresa o impede de participar como representante da companhia em ambientes que não promovem a igualdade de gênero.

Quando analisados como um todo, os ODSs são um chamado universal para ações contra a pobreza, proteção do planeta, paz, prosperidade e principalmente igualdade. Eles estão sendo amplamente impulsionados pelos projetos de smart cities, uma vez que uma cidade mais inteligente tem como principal missão a melhoria da qualidade de vida de sua população. Você concorda?

 Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.