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Cidade digitalizada identifica até a janela de um prédio: isto é Cingapura

Renato de Castro

28/01/2020 04h00

A Helix Bridge é uma ponte em curva para pedestres baseada na estrutura do DNA (Essential Home)

Imagine uma cidade onde há tantos elementos conectados ao mundo digital que é possível simular, em um ambiente virtual, como uma mudança impactaria os munícipes antes mesmo de implantá-la. Parece coisa do futuro, não é mesmo? Mas isso já existe!

Conhecido por seu tamanho reduzido e alta densidade populacional, Cingapura percebeu que seus negócios não têm muito espaço para erros e, assim, criou o Virtual Singapore. Com um investimento de S$ 73 milhões (aproximadamente R$ 225 milhões), o governo construiu um modelo do país em três dimensões que inclui não só o mapeamento topográfico da região como, também, informações detalhadas de objetos, desde sua composição até textura. A parte mais legal disso é que é o computador que interpreta a informação do mundo real. Ao analisar um prédio, por exemplo, ele automaticamente identifica o tipo de telhado, janelas e portas. Bacana, não?

Em cima de tudo isso, uma gama de dados estáticos e dinâmicos provindos de semáforos, pontos de ônibus e sensores espalhados pelo município demonstram o comportamento das pessoas em cada cenário. Lembra que já falamos em outro texto sobre o conceito de smart data lake? Lá já funciona!  Se você pensa que a cidade é quase um Big Brother, não se engane: é informação estatística trabalhando em favor dos que ali residem.

Com essa nova ferramenta, é possível prever se é necessária a construção de novos trajetos para reduzir o congestionamento de pessoas durante uma obra, por exemplo, ou ainda prever qual seria a melhor alternativa de ponte para atender às necessidades do bairro em que ela será construída. Fora isso, é possível que projetistas simulem o impacto da temperatura, luz solar e ruídos em novos projetos, o que permite que ambientes mais confortáveis e agradáveis sejam criados.

O mundo virtual também beneficia outras indústrias além da construção. Informações sobre a altura de edifícios, a área dos telhados e a quantidade de luz solar que eles recebem, por exemplo, podem ser utilizadas para identificar os locais onde a produção de energia solar é mais eficaz. A plataforma também pode ser utilizada para estimar a quantidade de energia solar que pode ser gerada, bem como a economia de recursos e custos.

Você provavelmente se lembra que antes do Google Maps nossas cidades eram mapeadas no papel a partir de fotos tiradas de helicópteros pela prefeitura. Esse processo manual fazia com que boa parte da informação ficasse defasada com o passar do tempo. Para contornar essa situação, dentro do programa Smart Nation Singapore, o qual a Virtual Singapore faz parte, o governo tem incentivado órgãos públicos e empresas a disponibilizarem dados de sensores publicamente de modo que qualquer pessoa possa participar e cocriar soluções para a cidade inteligente. Com dados em tempo real de diversas fontes, é bem improvável que o sistema ficará desatualizado.

Com tantas ideias, não é à toa que Cingapura levou o troféu de smart city do ano de 2018 no Congresso Mundial Smart City Expo. Segundo o júri do evento, "Cingapura tornou-se, sem dúvida, referência global de transformação e como implementar soluções urbanas inteligentes de maneira significativa que não apenas melhoram o funcionamento da cidade, mas também, os serviços prestados aos cidadãos e, por consequência, a qualidade de vida".

Você concorda que Cingapura é uma das cidades mais tecnológicas do mundo? O que você acha desse mapa virtual? Deixe sua opinião abaixo. Nos vemos no próximo texto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.

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