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Com UTIs lotadas, médicos vivem dilema de escolher o paciente que vai viver

UOL Tecnologia

14/03/2020 11h00

Com mais de 15 mil casos de coronavírus, a Itália vive um dilema nos corredores dos hospitais. Mais de 10% das pessoas infectadas precisam ir para a UTI (unidade de tratamento intensivo). Com isso, os leitos foram rapidamente tomados e já não há vagas para todos os pacientes em estado grave. "O médico tem que decidir quem tem mais chances de sobreviver e quem tem menos", relata Renato de Castro.

Na Itália, o serviço público sempre funcionou bem, mas a epidemia de covid-19 transformou a realidade dos hospitais. "Hoje, quem sofreu um infarto ou acidente de carro e precisa de tratamento intensivo no hospital, não vai ter", diz.

Além da superlotação, os hospitais enfrentam a falta de equipamentos como o respirador, usado no tratamento de pacientes em estado grave.

A Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Reanimação e Terapia Intensiva (Siaarti, na sigla em italiano) divulgou um documento em que aponta as necessidades de se tomar decisões difíceis neste momento.

"Em uma situação tão complexa, todo médico pode ter que tomar decisões dilacerantes de um ponto de vista ético e clínico em um curto espaço de tempo: quais pacientes são submetidos a tratamentos intensivos quando os recursos não são suficientes para todos que chegam, nem todos com a mesma chance de recuperação".

Em outro trecho, o documento defende privilegiar a "maior esperança de vida". "Isso significa não ter que necessariamente seguir um critério de acesso do tipo 'first come, first served' (primeiro a chegar, primeiro a ser atendido) à terapia intensiva. Queríamos sublinhar que a aplicação dos critérios de racionamento é justificável somente depois que todos os esforços foram feitos por todas as partes envolvidas para aumentar a disponibilidade de recursos que podem ser fornecidos e após avaliar qualquer possibilidade de transferência de pacientes para centros de tratamento com maior disponibilidade de recursos."

Total de casos de coronavírus na Itália até o dia 10 de março (Fonte: Worldmeters.info)

No interior do país, como na região do Rovolon, o atendimento é feito por médicos de base, a versão italiana dos médicos de família do Brasil. Esses profissionais estão solicitando para fechar seus consultórios por causa do contágio de coronavírus que está se espalhando entre eles. Na região de Bergamo, na Lombardia, norte do país, 50 médicos foram infectados pelo coronavírus. Segundo o jornal "La Reppublica", três médicos morreram por causa da epidemia.

O presidente da Federação Nacional das Ordens de Cirurgiões e Dentistas (Fnomceo, na sigla em italiano), Filippo Anelli, solicitou ao governo a suspensão do livre acesso de pacientes aos ambulatórios para conter o contágio.

"A gente já não tem hospital, porque todos estão lotados, e se os médicos de base pararem, a Itália vai ficar sem médicos para atendimentos", afirma Castro.

Na noite de quinta-feira (12), o governo anunciou uma campanha nacional de doação de sangue. A todo momento há uma atualização ou uma informação emergencial. "O sentimento que a gente tem aqui é de estado de guerra. O primeiro-ministro surge na TV e corre todo mundo para a frente da televisão para saber o que está acontecendo", afirma Castro.

Total de mortes causadas pelo coronavírus na Itália até o dia 10 de março (Fonte: worldmeters.info)

P.S.

Por causa da epidemia, os professores de Rovolon não podem mais ir para a escola para dar aulas online durante esse período de quarentena, como ocorreu no primeiro dia (veja como foi a experiência aqui). Mas com a ajuda do governo local, foram comprados 12 computadores que serão entregues aos professores para que eles possam prosseguir com o trabalho.

A pedido do governo municipal, Renato de Castro iniciou uma força-tarefa voltada para o setor de economia. Para esse projeto, foi criado a página "Rovolon Contro il Virus" no Facebook.

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.

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