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Supermercado italiano marca lugar de cliente para reduzir contágio na fila

UOL Tecnologia

18/03/2020 15h16

Supermercado marca com "X" a distância de um metro entre clientes para reduzir risco de contágio do coronavírus (Renato de Castro)

De um lado, uma população com grande restrição de mobilidade e contato social, mas que precisa se abastecer com itens básicos como alimentos e produtos de saúde. De outro, supermercados e o comércio em geral, que devem respeitar uma série de normas durante a quarentena por causa da epidemia do coronavírus. Mas estes também devem lutar pela sobrevivência em um cenário em que os clientes podem não aparecer ou podem surgir aos montes em uma corrida desesperada por abastecimento.

Como conciliar esses dois lados em uma situação de emergência como a vivida pela Itália hoje? Uma resposta pode estar na experiência de um supermercado em Rovolon, na região do Vêneto.

Fabio Beggiato, proprietário da loja da rede Carrefour Market, adotou medidas simples para agir durante a quarentena. Segundo as normas impostas pelas autoridades, as pessoas devem manter uma distância mínima de um metro entre elas para minimizar os riscos de contágio. O procedimento  é válido nos estabelecimentos de comércio de alimentos, como supermercados.

Assim, em todos os balcões do supermercado onde o cliente deve aguardar para ser atendido por um funcionário, há uma marcação no piso com um "X" mostrando onde a pessoa deve ficar respeitando a distância de um metro em relação ao próximo cliente. A marcação também está presente na fila do caixa.

Um funcionário também controla a entrada dos clientes para que não haja excesso de pessoas dentro da loja e amplie o risco de contaminação. Por causa dessa restrição, Beggiato recomenda que apenas uma pessoa por família vá ao supermercado, para que não corra o risco de uma família tomar o lugar de outro cliente que necessite fazer compras.

Os funcionários também devem respeitar algumas regras. Eles devem trabalhar com máscaras e luvas. A regra de distância de um metro também é válida para eles. Por isso, está proibido formar pequenos grupos de trabalhadores.

Folheto distribuído no supermercado explica funcionamento do serviço de delivery (Reprodução)

Mas tudo isso não poderia ser resolvido pelo serviço de delivery contratado pelo site do supermercado? Bem, o pequeno supermercado do interior da Itália não tem site, o que deve ser uma situação bastante semelhante a de mercados de bairros ou de pequenas cidades brasileiras.

A solução encontrada, então, foi usar o WhatsApp, email e telefone para atender os clientes e, em especial, os idosos. "Eles poderiam ter mais dúvidas em usar uma tecnologia como a internet", diz Beggiato. Os detalhes de funcionamento do serviço são divulgadas em folheto distribuído no supermercado.

O serviço de entrega de compras é uma medida excepcional. Ele existe apenas por causa da epidemia de coronavírus. Por isso, Beggiato calculou que seria capaz de fazer 15 entregas por vez. "Se mais pessoas pedem pelo serviço, não vou conseguir atender". O delivery se destina a localidades distantes até 10 km do supermercado.

Toda essa estrutura foi criada para resolver um problema atual e emergencial de forma simples e eficaz. Não há um plano para o supermercado abrir uma loja virtual ou um site para fazer comércio online.

Todas as informações foram compartilhadas com moradores da região em uma live realizada na página Smart School Veneto no Facebook.

Até o momento, não há registro de desabastecimento. Os produtos têm chegado ao supermercado e as prateleiras estão cheias.

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.

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