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Estamos preparados para a 4ª Revolução Industrial?

Renato de Castro

05/11/2018 04h01

Será que o futuro nos reserva mais ameaças ou oportunidades? Imagem: Thinkstock

Nosso planeta está em festa. Está completando 4,5 bilhões de primaveras! Se considerarmos que o principal fator externo para a nossa existência é o Sol, ainda teremos ao menos uns 6 bilhões de anos de vida pela frente! Haja festa para comemorar. Dito isso, partimos daqui em diante com a premissa de que a Terra não vai acabar amanhã, ok? Desastres ambientais, superaquecimento, hiperpopulação, guerra nuclear, robôs do mal… não importa o quão grave sejam nossos problemas, eles provavelmente não nos levarão ao fim literal do mundo.

Mas isso também não significa que não vamos mudar! O processo de evolução nos acompanha desde sempre, ou melhor, há exatos 4.500.000.000 de anos. Toda essa angústia que sentimos hoje está mais relacionada à velocidade de acesso à informação de que dispomos. Tudo evolui tão rápido que perdemos a noção do todo. Vou dar um exemplo: vamos imaginar que todo esse tempo de vida na Terra fosse representado em 24h, como na imagem abaixo. Nesta escala, a tão famosa Era dos Dinossauros aconteceria em pouco menos de 2 minutos. Incrível, não? E essa velocidade está realmente aumentando muito. Se analisarmos apenas os últimos 100 anos, atingimos progressos antes inimagináveis, como voar ou ir à Lua.

Relógio Geológico. Imagem por Fabricio Lemos – Grupo Seixas

Mas você não viu nada ainda. Sente medo daquelas montanhas russas radicais, como a Kingda Ka, nos Estados unidos, que atinge 205 km/h em 3,5 segundos? Ela é “fichinha” perto do que está por vir. Por isso, quero mostrar 4 cenários futuros que vão certamente fazer você refletir.

O primeiro trata de inclusão digital versus exclusão social. Isso porque, apesar de os n.os sobre a pobreza absoluta mundial estarem melhorando, e o capitalismo ser provavelmente o melhor sistema econômico que inventamos, as distribuições de riqueza ainda são um problema a ser tratado. Menos de 1% da população mundial acumula mais de 80% da riqueza total da economia, e esse desequilíbrio nos leva a uma forte exclusão social. Mais uma vez: isso não é novo! O que está mudando agora — e que na minha opinião pode ser uma notícia muito boa — está relacionado à inclusão digital.

Tive a oportunidade de acompanhar 3 projetos que podem ilustrar essa tendência. Na Tanzânia, as cidades ainda sofrem com a escassez de energia, às vezes com menos de 5h de energia por dia. Vendedores de rua locais começaram a oferecer recarga de bateria de celular como serviço. Não estou falando de crédito, mas sim de bateria. No Brasil não é muito diferente. De modo geral, o acesso à telefonia celular é considerado um fenômeno mundial, mesmo com tantas disparidades observadas na nossa sociedade. Em julho desse ano, o mercado brasileiro contava com quase 235 milhões de linhas telefônicas ativas. Nos Estados Unidos, país mais rico do mundo, a grande maioria dos moradores de rua tem aparelhos celulares e está conectada à rede. Isso demonstra que mesmo as pessoas socialmente marginalizadas estão 100% inclusas digitalmente, o que torna muito mais fácil localizá-las e compreender suas reais necessidades para que possamos ajudá-las – desde que exista interesse por parte da sociedade organizada e vontade política para isso, claro.    

O segundo cenário já começamos a discutir no meu último texto sobre Inteligência Artificial (AI). O mundo inteiro começa a debater em quais aplicações a AI será mais útil. Mas isso terá um custo, e não me refiro apenas ao custo para seu desenvolvimento, mas sim ao custo social. Voltemos ao exemplo do texto – ter um robô como Presidente da República. Após um longo período de calibragem e aprendizagem do algoritmo, nosso governante já estaria apto a achar soluções originais para diversos problemas. Seriam literalmente “ideias” ou decisões suas. Quanto mais tempo em funcionamento, mais “sábio” ele se tornaria. Meu questionamento aqui é: será que depois de todo o seu trabalho e contribuição dados neste processo de “evolução artificial” poderíamos simplesmente “desligá-lo da tomada”? Estamos evoluindo para um futuro no qual a sociedade será composta por homens (Homo sapiens), homens com partes biônicas ou com melhorias genéticas (Homo Cyborgs) e androides funcionando a partir de AI. A essa altura, será que esses androides, que não têm partes humanas mas raciocinam usando algoritmos baseados na realidade humana, não deverão ter os mesmos direitos básicos de decidir quanto à vida e à morte e de serem remunerados por seus trabalhos?

Já o terceiro cenário diz respeito à chamada Internet das Coisas (IOT), que também já discutimos em outros textos. Começo a reflexão por alguns números importantes: em 2008 o número de conexões digitais ultrapassou o número total de habitantes do planeta. Mais impressionante ainda: em 2020, estima-se que teremos mais de 50 bilhões de “coisas” conectadas. Isso inclui eu, vocês, seu vizinho, sua máquina de lavar, carro, relógio, o contador de luz de sua casa…. TUDO! Isso é a Internet of Everything, como já está sendo chamada. Além da abordagem do lixo eletrônico que discutimos no texto sobre IoTrash, já pensou no volume de dados que serão produzidos nas nossas cidades? Se os dados são realmente o novo petróleo, nossas cidades estão ricas!

Agora una esses cenários que vimos até agora a mais dois ou três ingredientes tecnológicos, como internet 5G e misture tudo. Sabe qual será o resultado? Um vibrante e energético cenário chamado de Quarta Revolução Industrial. Se lembra da impressora 3D de comida que discutimos durante minha participação no evento do MIT na França, no início de outubro? Ou dos drones-táxis, hyperloops, e veículos autônomos? Todas essas inovações são somente a ponta do iceberg. Sim, um novo mundo está surgindo e será modelado pela Quarta Revolução, e muitos acreditam que ela será a mais disruptiva de todas, ainda mais importante do que a Primeira Revolução, a Agrícola, que ocorreu há mais de 12 mil anos e foi a responsável por sedimentar o homem à terra. Graças a ela deixamos de ser nômades para começar a construir comunidades e cidades. Capisce?

Se no relógio geológico que observamos os dinossauros estiveram aqui há menos de 2 minutos, quem, ou o quê, está por chegar? Como essas mudanças influenciarão diretamente a sua vida? Como os setores tão tradicionais da indústria, como o automobilístico ou o de seguros, vão se adaptar para sobreviverem às mudanças? Qual o seu palpite? Deixem seus comentários abaixo, será um prazer discutir com vocês mais profundamente. Nos vemos no próximo texto!

Sobre o autor

Renato de Castro é expert em Cidades Inteligentes. É embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres, membro do conselho de administração da ONG Leading Cities de Boston e Volunteer Senior Adviser da ITU, International Telecommunications Union, agência de Telecomunicações das Nações Unidas. Acumulou mais de duas décadas de experiência atuando como executivo global em países da Ásia, Américas e Europa. Fluente em 4 idiomas, é doutorando em direito internacional pela UAB - Universidade Autônoma de Barcelona. Renato já esteve em mais de 30 países, dando palestras sobre cidades inteligentes e colaborando com projetos urbanos. Atualmente, reside em Barcelona onde atua como CEO de uma spinoff de tecnologia para Smart Cities.

Sobre o blog

Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Em nosso blog vamos discutir sobre as últimas tendências mundiais em soluções urbanas que estão fazendo nossas cidades mais inteligentes.

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