Cidades Mais Inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Tue, 05 Nov 2019 07:00:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 LIVRO – A Cidade Startup: a nova era de cidades mais inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/livro-a-cidade-startup-a-nova-era-de-cidades-mais-inteligentes/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/livro-a-cidade-startup-a-nova-era-de-cidades-mais-inteligentes/#respond Tue, 05 Nov 2019 07:00:05 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=789

O livro será lançado no dia 6 de novembro, durante o Welcome Tomorrow 2019, em São Paulo.

Esta semana será muito especial para mim, afinal, tenho esperado por ela o ano todo e aqui estamos! Amanhã, durante o Welcome Tomorrow 2019, lançarei meu primeiro livro no Brasil, “A Cidade Startup: A nova era de cidades mais inteligentes”, que reúne os melhores textos do meu blog aqui no Tilt; uma jornada de quase um ano e meio que percorremos juntos discutindo os melhores casos de implementação de novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades.

Com menções de mais de 90 municípios em cinco continentes, entre eles Tóquio, Nova Iorque, São Paulo, Melbourne, Johannesburgo, Bastia di Rovolon e Nova Deli, o livro retrata a agenda frenética de viagens que fiz ao longo dos últimos anos. Trinta e oito países visitados desde 2016 e mais de 370 voos me ajudaram a desenhar a fotografia do que está acontecendo no cenário global das chamadas cidades inteligentes, afinal, acredito que toda essa transformação virá para o bem da sociedade.

 Para perceber o potencial existente, basta olhar as possibilidades das Smart Cities e notar que estamos no início de um processo que pode criar novas formas de interação humana. Na verdade, eu não gosto da expressão “cidades inteligentes”, que é a tradução literal de Smart Cities, porque ela dá́ a entender que existem “cidades burras”. Acredito que cada cidade é um processo desenvolvido a partir da interação entre as pessoas, o que possibilita criar identidades próprias e soluções para os problemas de cada comunidade. Por isso, acredito em Cidades MAIS Inteligentes.

Nos anos 80, Raul Seixas cantava que preferia ser “essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobretudo. Quanto mais aceleramos no mundo da transformação digital e na Revolução 4.0, mais esses versos se tornam reais. A verdade é que as mudanças estão acontecendo a um ritmo cada vez mais acelerado e a única certeza que temos é que precisamos estar em movimento constante.

O livro tem um capítulo especial voltado às novas tecnologias disruptivas, enfatizando as transformações que estão acontecendo em vários setores. Imóveis, saúde, conectividade e alimentação são alguns exemplos de uma mudança generalizada na economia, na sociedade, nos negócios e nas relações humanas que discutimos. O homem conectado passa a esperar outro nível de excelência e de velocidade dos produtos, serviços e marcas com que se relaciona. Avanços tecnológicos mudam as regras do jogo constantemente e trazem evoluções e revoluções em uma intensidade que nunca antes tínhamos conhecido. Ficou curioso? O conteúdo não para por aí.

Pensar em Cidades Mais Inteligentes é pensar no ser humano como um todo. O que é “ser feliz” em um mundo altamente tecnológico? Como se darão as relações humanas nas grandes metrópoles mundiais? Como integrar pessoas de culturas totalmente diferentes? Essas são questões que precisam estar na cabeça de quem formula políticas públicas e de todos que fazem parte do ecossistema global das Smart Cities.

 O livro é baseado em um conceito que venho desenvolvimento desde 2016 chamado “City Smartup: a conexão das cidades inteligentes com o novo mindset na gestão das startups”. Entendo que esse seja um caminho eficiente para o desenvolvimento de soluções que melhoram a vida dos cidadãos e fazem com que o espaço público seja percebido pelas pessoas como um lugar realmente de todos.

Acredito que sejamos uma nova classe mundial de pessoas, somos City Makers e City Shapers! Ao longo das minhas experiências pelo mundo, aprendi que cidades inteligentes na verdade são lugares mágicos onde tudo parece conspirar para fazer nossa vida melhor.

No início de cada um dos textos, mostramos como eles dialogam com os ODSs e deixamos claro que o desenvolvimento de Smart Cities é, também, uma forma de contribuir com as metas das Nações Unidas para a criação de uma sociedade mais justa, equilibrada e sustentável.

 Cada um dos 229.435 caracteres do livro contam com toda minha paixão e entusiasmo pelo tema. Espero, sinceramente, que gostem e que você compareçam amanhã, dia 6 de novembro de 2019, na abertura do evento Welcome Tomorrow 2019, em São Paulo, para compartilhar comigo esse momento especial. Aproveito, também, para convidá-los para um super painel que faremos com outros colegas bloggers do Tilt dia 9 de novembro, às 17h35, na Arena Ride, sempre no Welcome Tomorrow. Imperdível!

Nos vemos então daqui a pouco ;).

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Que tal uma carreira no milionário setor de iGaming? Venha para Malta! http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/29/que-tal-uma-carreira-no-milionario-setor-de-igaming-venha-para-malta/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/29/que-tal-uma-carreira-no-milionario-setor-de-igaming-venha-para-malta/#respond Tue, 29 Oct 2019 07:00:15 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=780

O setor de iGaming (apostas online) já representa 12% da economia maltesa, gerando 700 milhões de euros e empregando nove mil pessoas. Foto: worldfinance

Hoje, vamos falar de um país muito pouco conhecido pelos brasileiros: Malta. Localizado em uma posição estratégica no extremo Sul da Europa, a 93 km da Sicília, Itália, e a 288 km da Tunísia, no norte da África, sua posição estratégica fez com ele sempre fosse palco de grandes disputas internacionais. Habitado desde 5.200 A.C., passaram pela ilha os fenícios, romanos, árabes, mouros, normandos, espanhóis, Cavaleiros de São João, franceses e, por último, os britânicos, que governaram a ilha até sua independência, em 1964. 

Ao longo dos últimos 10 anos, durante a grande crise europeia, o país tem atraído muitos imigrantes não só europeus, mas também asiáticos e, principalmente, pessoas de países africanos de línguas árabes. Com somente 316 quilômetros quadrados, menos da metade de Florianópolis, que tem 675 km2, Malta tem uma densidade populacional de 1.300 pessoas por quilômetro quadrado, de longe a maior da Europa.

Como em todo o processo de crescimento populacional, o país precisa planejar a construção de novas unidades habitacionais, repensar a infraestrutura de transporte e redimensionar todo o setor de segurança pública. Para os próximos anos, espera-se que o crescimento da população persista em meio a uma economia em crescimento, principalmente nos setores relacionados à tecnologia, o que exigirá mais trabalhadores estrangeiros, porém especializados. O país está migrando de uma economia voltada ao turismo à um forte ecossistema de economia digital.

Semana passada, tive a honra de participar de um grande evento organizado pela Associação Nacional de Conselheiros, o que seria similar aos vereadores no Brasil. Para começar a transformação da ilha em uma Smart Island (ilha inteligente), eles estão desenvolvendo políticas públicas baseadas em quatro pilares: mobilidade sustentável, ambientes verdes, espaços abertos e, claro, Smart Cities. A estratégia é bem parecida com algumas que já discutimos em outros textos, mas com a grande vantagem da implementação ser em um espaço geográfico reduzido, ter como idiomas o inglês e, principalmente, uma economia pulsante e já orientada ao digital.

Entre as estrelas deste boom da nova economia maltesa, os setores milionários de IGaming (apostas online) e de blockchain vêm ganhando destaque nos últimos anos. Atualmente, o setor de apostas online já representa 12% da economia maltesa, gerando 700 milhões de euros e empregando nove mil pessoas. Mais de 330 empresas de apostas, incluindo os gigantes Betsson, Tipico e Betfair, têm sua sede fiscal no país, o que colabora para que a nação seja conhecida como a capital europeia dos iGaming (jogos eletrônicos online).

Há uma expectativa para que Malta se torne o Vale do Silício da indústria do iGmaing, contudo, o país precisa promover incentivos corretos e criar a estrutura reguladora para continuar atraindo investimentos e empresas do setor. O governo nacional já está trabalhado fortemente para isso: além da regulamentação oficial que está sendo aprimorada e dos grandes incentivos à abertura de startups, o país também conta com o apoio de instituições de ensino superior de renome internacional. A Universidade de Malta, por exemplo, já oferece cursos de graduação e pós-graduação específicos para novas tecnologias como inteligência artificial. O melhor: tudo gratuito.

Malta, que sempre se orgulhou de ser um destino turístico da Europa, agora se prepara para ser um dos centros mais confiáveis e dinâmicos ​do setor de apostas online. Olha aí uma grande chance para vocês! Seja você um programador experiente, um “startuper”/ investidor ávido por novos desafios ou um entusiasta de tecnologia em busca de uma boa formação e novos desafios, você certamente encontrará oportunidades em Malta.  Boa sorte!

Nos vemos na próxima semana.

 

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O futuro está no Vale do Silício? Talvez você esteja errado http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/22/o-futuro-esta-no-vale-do-silicio-dos-eua-talvez-voce-esteja-errado/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/22/o-futuro-esta-no-vale-do-silicio-dos-eua-talvez-voce-esteja-errado/#respond Tue, 22 Oct 2019 06:00:37 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=768

A ponte HZM (Hong Kong – Zhuhai – Macau) é a mais extensa do mundo, com 55 km, e foi inaugurada ano passado como estratégia de desenvolvimento da GBA. Foto: TeleTrader

Não sei se você sabia, mas eu morei na China por mais de seis anos. De 2006 até o final de 2013, eu tive o privilégio de acompanhar de perto o ressurgimento do dragão adormecido. A verdadeira disrupção econômica chinesa é a velocidade de crescimento: o país, que até a década de 70 exportava menos de 2% do seu PIB, se transformou em um dos líderes mundiais de desenvolvimento de novas tecnologias.

Inovação é exatamente o foco do governo central de Pequim ao criar uma nova região econômica no sul do país, a Greather Bay Area (GBA). O projeto consiste em interligar as principais cidades às margens do Rio das Pérolas, como Guangzhou e Shenzhen, às duas regiões de regime administrativo especial: Hong Kong, ex-colônia Inglesa, e Macau, que até 1999 foi administrada por Portugal. 

Para vocês terem ideia do que isso significa do ponto de vista econômico, a GBA possui um PIB anual de 1.8 trilhões de dólares, mais ou menos a metade do PIB brasileiro. Sua área de um pouco mais de 1% do território chinês representa 12% do PIB nacional e abriga 70 milhões de pessoas, população maior que a do Reino Unido e duas vezes a do Canada.

Não se convenceu? Então vai mais uma: o frete aéreo de produtos nessa região é maior que se somarmos os de Nova Iorque, São Francisco e Tóquio! Se não bastasse isso, três dos dez mais importantes portos de contêineres no mundo estão localizados lá. Não é à toa que essa área está sendo chamada de o Vale do Silício da China e que eu tinha que ir conferir o que está acontecendo neste país que me acolheu tão bem e que um dia chamei de lar.

Entre vários projetos que visitei por minha passagem por Hong Kong, Shenzhen e Guangzhou, o que mais me impressionou foi a cidade inteligente da gigante Cisco, que está sendo construída em uma área de 3,5 quilômetros quadrados ao lado do distrito universitário de Panyu.  

Como todo projeto “greenfield”, a cidade da Cisco já nasceu ambiciosa: serão investidos mais de três bilhões de dólares na construção de toda a infraestrutura. Com as obras iniciadas em 2016 e previsão de conclusão até 2026, a primeira das três fases do projeto, que conta com investimentos em pesquisas de diversos conglomerados globais, já deve ser inaugurada ano que vem. Inteligência artificial, internet das coisas, veículos autônomos, drones para entrega de mercadoria e transporte de pessoas são algumas das tecnologias que estarão disponíveis para seus mais de 200 mil habitantes no futuro.

Em conversa com um dos gestores do projeto na Cisco, Andy Lin, ele ressaltou duas das principais vantagens competitivas da nova cidade: o compromisso do governo local em flexibilizar a legislação para o teste de tecnologias disruptivas, seguindo o modelo criado no Vale do Silício pelo governo da Califórnia, e a proximidade da cidade universitária que abriga 11 instituições de tecnologia, sendo que três delas estão entre as melhores do país e, juntas, têm mais de 16 mil alunos. Ao longo dos últimos anos, os centros acadêmicos já “exportaram” mais de 40 mil talentos para o mundo e um dos objetivos do projeto é exatamente reter esses profissionais na China.

A corrida pela liderança mundial no campo da tecnologia só está começando e, diferente do que muitos pensam, a China está sim no páreo e, aparentemente, muito mais à frente que tradicionais competidores, como Rússia, Japão e Alemanha. Só o futuro nos dirá quem vai vencer essa competição, mas só o fato de não haver uma superioridade unilateral já me parece bastante salutar. Que venha então o Vale Chinês.

Grande abraço e até a próxima semana.

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As vaquinhas virtuais evoluíram e já permitem a compra de imóveis http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/08/crowdfunding-vaquinha-virtual-evoluiu-e-ja-permite-compra-de-imoveis/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/08/crowdfunding-vaquinha-virtual-evoluiu-e-ja-permite-compra-de-imoveis/#respond Tue, 08 Oct 2019 07:00:51 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=757

Criada em 2017, a Smartcrowd está sediada na Hive, uma prestigiada aceleradora de fintechs em Dubai. Foto: Smartcrowd.

Com o crescimento do conceito de economia compartilhada, os chamados financiamentos coletivos, crowdfunding em inglês, se popularizaram mundo afora. A ideia é bem simples: plataformas online onde pessoas “normais” têm a possibilidade de financiar projetos, contribuindo com pequenos valores. 

No Brasil, já existem diversas iniciativas do tipo, como a Benfeitoria.com.br, um sistema de engajamento coletivo para projetos transformadores, e a  Catarse.me, a primeira plataforma nacional criada para financiar projetos criativos de forma compartilhada. Lá, você pode encontrar diversos tipos de negócios para investir. Mas e se o investimento fosse em um imóvel?

Pois foi exatamente com objetivo de proporcionar acesso ao mercado imobiliário que nasceu a Smartcrowd. Com sede na Hive, uma prestigiada aceleradora de fintechs em Dubai, a startup foi criada por dois jovens amigos. Considerado uma das opções de investimentos mais seguras disponíveis no Oriente Médio, o mercado imobiliário era restrito a poucos devido às grandes exigências de capital. Mesmo com os salários altos que os dois amigos tinham no mercado financeiro, eles não viam a menor chance de comprarem, sozinhos, um imóvel, seja para viver ou para investir. Eureka!

Nasce, então, em 2017, a primeira iniciativa de investimento digital regulamentada da região, oferecendo a oportunidade de adquirir uma fração de uma propriedade. Pela plataforma, uma pessoa pode “comprar” um imóvel com investimentos a partir de AED 5.000,00 (dirhams), cerca de R$ 5.600. Por se tratar de uma atividade inédita no país, seus fundadores tiveram que solicitar uma licença especial de funcionamento do DFSA (Autoridade de Serviços Financeiros de Dubai), a licença de teste de inovação. Imaginem só a complexidade para gerenciar a compra e gestão de um imóvel para um grupo de pessoas.

De pouco em pouco, eles vão longe: depois de dois anos lutando para regulamentar a atividade, a empresa já conta com sete imóveis comprados por meio do sistema de financiamento coletivo, totalizando quatro milhões de dirhams (R$ 4,5 milhões). Hoje, eles têm mais de 90 clientes investidores diretos e 1.125 usuários registrados. O mais bacana é que 65% dos compradores já investiram em mais de um imóvel; parece que gostaram!

Eu fiz uma entrevista bem bacana com os simpaticíssimos Ammar Nawaz , diretor de relacionamento com clientes, e Hassan Sheikh, diretor de desenvolvimento de negócios, durante minha última passagem por Dubai e gravei o pitch deles.

Será que funcionaria essa ideia no Brasil? Assistam ao vídeo e tirem suas conclusões, quem sabe pode ser uma grande oportunidade? Com o grande sucesso em Dubai, a Smartcrowd acabou de se graduar como startup, recebeu uma licença internacional e está em busca de novos mercados.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

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Conheça a maior e mais cara moldura do mundo. Desperdício ou investimento? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/01/conheca-a-maior-e-mais-cara-moldura-do-mundo-desperdicio-ou-investimento/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/01/conheca-a-maior-e-mais-cara-moldura-do-mundo-desperdicio-ou-investimento/#respond Tue, 01 Oct 2019 07:00:03 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=747

O Dubai Frame é um marco arquitetônico localizado no parque Zabeel em Dubai. Foto: The Dubai Frame

O exercício da cidadania e da participação popular nas decisões públicas está cada vez mais presente nos governos mundo afora. O modelo de gestão participativa brasileiro já é inclusive referência mundial, tendo sido replicado em Portugal e até nos Estados Unidos. Mas isso não acontece em todos países!

Durante minha última viagem pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), eu tive a oportunidade de visitar diversos projetos que, apesar de serem bastante interessantes, nos levam a pensar sobre a qualidade e legitimidade dos investimentos do setor público.

Antes de prosseguir, é importante esclarecer que os EAU são regidos por um emir: um sheik de uma família nobre que tem a atribuição de governar, ou seja, não é um governo democrático. Também é importante entender que ali na região o público e o privado se misturam muitas vezes. A grande maioria dos “bens” públicos na verdade pertencem à família do governante, e não ao país ou a uma cidade específica. Mas isso está longe de ser um ponto negativo, pelo menos na percepção deles.

Entre as diversas maravilhas arquitetônicas do mundo moderno e recordes que Dubai coleciona, fui visitar o último monumento inaugurado: o The Frame Dubai.

Inaugurado em janeiro de 2018, sua estrutura em forma retangular imita uma moldura fotográfica e é considerada a maior moldura do mundo. São duas torres de 150 metros de altura conectadas nas duas extremidades e recobertas por um revestimento metálico que imita a cor do ouro. Impressionante mesmo!

O monumento foi criado para ilustrar a transição entre a Dubai antiga – uma tradicional vila de pescadores de pérolas e mercadores – e a Dubai do futuro. Como havia mencionado no texto anterior, Dubai é a cidade com o maior número de gruas de construção civil em atividade do planeta e há meio século representa uma das áreas de maior crescimento no mundo.

A visita começa pela parte inferior da atração, onde encontramos um museu que conta a história da cidade, do ciclo das pérolas ao apogeu do petróleo. Na sequência, um elevador superveloz nos leva até a ponte superior que liga as duas torres. Ali, sob o olhar atento da tríade de sheiks (presentes em todos os prédios públicos ou privados da nação), diversas tecnologias interativas são apresentadas. Nada de superdisruptivo, mas bem interessante. Gostei muito do chão de painéis de vidro que fica transparente conforme caminhamos por ele e da parede de LED que dá para escrever com o dedo (confira tudo no vídeo abaixo).

A visita termina na parte inferior da torre 2, onde eles apresentam a visão de Dubai para o futuro em um vídeo 180º superbem elaborado que chega até a dar um friozinho na barriga. No final, fica a pergunta: valeu a pena investir R$ 260 milhões para fazer uma “moldura”? Mesmo em um país onde não falta nada para a população, ou pelo menos para os nativos emiradenses, isso não seria um desperdício de recursos?

Segundo o governo de Dubai, o investimento se justifica: o empreendimento não só se pagará a longo prazo com a visitação turística, como também ajudará a reforçar o legado do desenvolvimento da cidade. Assistam ao vídeo que eu fiz do The Frame e entendam a dimensão desse projeto, só assim vocês poderão tirar usas próprias conclusões.

Agora, me vem logo em mente: Em uma democracia plena como a do Brasil seria muito difícil aprovar projetos assim, certo? Será? Quantas obras faraônicas e com muito menos sustentabilidade econômica já não fizemos? Quantos estádios de futebol com projetos bilionários foram aprovados para a Copa de 2014 e viraram elefantes brancos?

O caso do Mané Garricha de Brasília, por exemplo, segundo dados oficiais, que foram questionados pelo Tribunal de Contas, custou nada menos que R$ 2 bilhões. Isso é quase OITO vezes o custo do The Frame. Pontes que não ligam nada e aeroportos regionais sem voos também fazem parte desta longa lista. Bem, vocês conhecem a estória dos super-mega-ultra investimentos públicos tupiniquins melhor que eu.

Estamos às vésperas de um mais ano eleitoral. Precisamos analisar com muita coerência as propostas de nossos candidatos para tentarmos sair deste transe coletivo que nos domina a cada quatro anos. Seguramente não necessitamos de um Frame por aí, mas o discurso por trás das propostas precisa ser consistente; precisa fazer sentido a curto, médio e, principalmente, longo prazo. 

Que iniciem então as campanhas, porque estou ansioso para acompanhar e discutir com todos vocês as fantásticas (ou fantasiosas) ideias de nossos candidatos. Fiquem à vontade para enviar aqui no blog todas as propostas que vocês, eleitores ou candidatos, acharem que vale a pena discutir mais a fundo. Um grande abraço e até a próxima semana.

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Construindo comunidades inteligentes com crianças que não escrevem mais http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/24/construindo-comunidades-inteligentes-com-criancas-que-nao-escrevem-mais/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/24/construindo-comunidades-inteligentes-com-criancas-que-nao-escrevem-mais/#respond Tue, 24 Sep 2019 07:00:40 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=738

A Finlândia está em primeiro lugar nos rankings de melhor educação e população mais feliz do mundo. Foto: REUTERS/Petr Josek

Depois de uma breve visita à bela e polêmica cidade da “felicidade”, desembarcamos em um dos países mais ousados da Europa. Apesar de já ter acompanho de perto o dinamismo das economias escandinavas ao participar de eventos em Estocolmo, Oslo e Copenhague, ainda faltava o “carimbo” de Helsinki. Foi minha primeira vez na Finlândia e confesso que estava bastante ansioso.

Eu estava muito curioso para conhecer o país que aboliu, em 2016, a escrita cursiva do currículo escolar básico. Isso mesmo, os finledansinhos já não aprendem mais a escrever a tradicional letrinha-de-mãos-dadas. Na época desse polêmico decreto, eu escrevi alguns textos sobre o tema e nem preciso dizer a quantidade de comentários negativos sobre essa medida do governo local.

Acreditem, ao longo dos três últimos anos que venho discutindo esse ponto, eu já ouvi mil argumentos a favor e outros dois mil contra. Na verdade, a ideia é focar não somente na letra de forma, mas principalmente nas habilidades de digitação, o que parece fazer sentido, já que é incontestável a influência da tecnologia nas nossas vidas.

Seja você a favor ou contra, é importante levar em consideração que a Finlândia esteve entre os primeiros lugares no ranking mundial de educação nos últimos cinco anos consecutivos. Sem falar o primeiro lugar, mais uma vez, no World Happiness Report (Relatório Mundial da Felicidade) de 2019. Parece que sabem o que estão fazendo, não acha?

Mas voltando à visita. Aproveitando minha participação em um evento de Inteligência Artificial, me permiti algumas horas para visitar projetos locais de Smart City. O que mais me chamou a atenção foi o novo distrito de Kalasatama.

Localizado na parte leste da cidade, a somente quatro estações de metrô do centro de Helsinki, a região era praticamente uma área rural há menos dez anos. Seguindo quase o mesmo ritmo frenético de crescimento dos distritos de Dubai, que comentei no meu texto anterior, Kalasatama foi construída combinando modernidade com um clima de cidade do interior.

Desde o início, o foco do projeto foi a construção de uma comunidade e não simplesmente de edifícios. Ruas tranquilas, crianças brincando em parques públicos, ciclovias, vias exclusivas para caminhada e corrida e até um bosque natural com um jardim zoológico fazem parte do bairro inteligente.

Mesmo com a grande crise que atinge a Europa desde 2008, o projeto foi (e ainda é) um sucesso devido à criação de um espírito de comunidade dinâmica, entrosada e politicamente participativa. As pessoas que decidiram se mudar para lá foram motivadas por um propósito de vida, muito mais que pelo preço do metro quadrado ou uma possível redução de impostos. Faz sentido para você? Para mim sim, muito!

Seguindo meu compromisso de compartilhar com vocês tudo de legal que vejo em minhas viagens, fiz um vídeo para mostrar um pouco desse conceito. O Brasil está iniciando um novo ciclo de crescimento econômico (parece) e projetos regionais de urbanização estão aparecendo por toda a parte. O projeto de desenvolvimento do vetor Norte da bela cidade de Varginha e o futurístico Portal IBYRAMA, que promete revolucionar o mercado da região metropolitana de Belo Horizonte, ambos em Minas Gerais, são alguns bons exemplos desse “boom” que temos por aí. Fica então o benchmarking para eles ;).

Hoje não construímos cidades inteligentes simplesmente com concreto armado e tecnologia. Nossa sociedade está evoluindo para outro patamar de relacionamento social, participação cívica e, principalmente, de consciência política. Você não acredita que isso vai chegar aí no Brasil, né? Pois eu digo que já chegou e só vai crescer cada vez mais. Quem (sobre)viver, verá!

Concorda ou não com o que eu escrevi desta vez? Participe desta discussão. Deixe seu comentário aqui embaixo do texto que terei o enorme prazer de responder a todos, prós ou contra, como sempre. Desejo um bom início de primavera a todos e nos vemos na próxima semana.

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Tecnologia, prosperidade e felicidade: a receita do sucesso de Dubai http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/17/tecnologia-prosperidade-e-felicidade-a-receita-do-sucesso-de-dubai/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/17/tecnologia-prosperidade-e-felicidade-a-receita-do-sucesso-de-dubai/#respond Tue, 17 Sep 2019 07:00:07 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=730

Projeto da nova torre Dubai Creek que terá 1.300 metros de altura.

Confesso para vocês que faz tempo que sou apaixonado por Dubai; me encantei logo na minha primeira ida aos Emirados Árabes Unidos (EAU), em 2009. O mais impressionante não é a arquitetura moderna ou a infraestrutura robusta construída em poucas décadas, nem mesmo o calor sufocante de 42º célsius a meia noite. O que me surpreendeu desde o início foi a capacidade e velocidade de transformação daquela nação, principalmente do Emirado de Dubai. 

“Ah, Renato, é muito fácil fazer isso quando se tem petróleo no quintal”, você provavelmente deve estar pensando. E você tem razão: ajuda e muito. Mas é preciso ter vontade e esforço político também! Nossa hermana Venezuela que o diga: segundo o relatório BP Statistical Review of World Energy 2018,  nossos sofridos vizinhos têm a maior reserva de petróleo conhecida do mundo (proven oil reserves), representando 18% de todas as reservas mundiais. O Brasil ocupa a 15ª posição no ranking e os EAU a 8ª.

Apesar da posição entre os dez maiores do mundo, atualmente o petróleo representa menos de 5% da economia de Dubai. Turismo, comércio internacional e mercado imobiliário são os grandes impulsionadores do PIB por aqui. Já deu para entender que Dubai não é só sobre petróleo, certo? Semana passada tive o prazer de visitar Dubai e Abu Dhabi em uma viagem de negócios e mais uma vez saí impressionado.

Há um ano, eu escrevi um texto sobre os EAU e o ministério da felicidade, que foi criado para monitorar a evolução e, principalmente, os impactos dos projetos de cidades inteligentes na vida dos cidadãos – já havia vários indicadores mostrando que eles estavam no caminho certo. O ciclo de crescimento e prosperidade que começou em 2014, da forte crise de 2008, parece estar chegando ao seu apogeu.

Só para dar uma ideia: segundo informações da incorporadora Emaar, uma das maiores da região, Dubai concentra quase 25% de todas as gruas em operação do mundo. A Emaar, que detém os recordes do edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, com 828 metros localizado no complexo do Dubai Mall, maior shopping center do mundo com área equivalente a 50 campos de futebol, agora está construindo um bairro inteligente inteiro.

Em um total de seis quilômetros quadrados, o Dubai Creek será uma das áreas mais modernas e conectadas do planeta. Como se não bastasse eles estarem construindo lá um novo shopping com o dobro do tamanho do Dubai Mall, no coração do bairro será erguida a megamajestosa Dubai Creek Tower, com mais de 1300 metros de altura. Isso mesmo, mais de um quilometro em direção ao céu!

Projetos como taxis drones, o hyperloop (trem supersônico), uma polícia composta por robôs e até mesmo uma cidade em Marte para 2117 já estão na pauta diária de todos por lá. Todos projetos para o futuro sim, mas com um planejamento sério e uma verba quase ilimitada para execução. Nada parece ser impossível para eles.

Em uma das minhas reuniões na semana passada, ouvi uma frase do Sr. Omar Alkhan, diretor responsável pelos escritórios internacionais da Dubai Chamber, que ilustra bem o espírito de Dubai: “nós, como povo do deserto com muitas limitações de recursos, aprendemos desde de cedo a espremer ao máximo tudo que temos à nossa disposição”.

Eu gravei um vídeo curto da minha visita guiada ao projeto Dubai Creek que dá para ter uma impressão que o futuro já chegou por lá, e olha que esse é somente um dos diversos bairros que estão florescendo literalmente nas areias do deserto. Todos esses esforços estão redobrados em função da Exposição Mundial Expo 2020, que acontecerá na cidade de outubro de 2020 a abril de 2021.

Tecnologia de ponta aplicada para mitigar problemas e, principalmente, melhorar a qualidade de vida é o tempero principal na receita de qualquer cidade inteligentes. Acho que eles entenderam muito bem isso por lá, afinal, não foi à toa que em 2017 Dubai levou o título de Smart City do Ano no congresso mundial de Barcelona e já aparece entre as top 5 mundiais em diversos outros rankings de prestígio. Se você tiver uma mínima possibilidade de visitar essa magnifica cidade, não perca a oportunidade, vale muito a pena!

Espero que gostem do vídeo e nos vemos na próxima semana diretamente de outro canto deste nosso belo e dinâmico planeta.

 

 

 

 

 

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Estamos prontos para o “carro” do futuro? Ele já chegou e se chama NEXT http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/10/estamos-prontos-para-o-carro-do-futuro-ele-ja-chegou-e-se-chama-next/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/10/estamos-prontos-para-o-carro-do-futuro-ele-ja-chegou-e-se-chama-next/#respond Tue, 10 Sep 2019 07:00:13 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=713

NEXT: um spoiler da nova geração da chamada MaaS – mobilidade-como-um-serviço. Foto: Next.

Nossa viagem de hoje nos leva a uma “garagem” que fica a menos de 20 minutos da minha casa. Mas antes de começarmos, devo confessar que eu amo carros! Como um bom representante da geração X, eu nasci com gasolina nas minhas veias e muitos cavalos nos meus sonhos. Bons tempos… mas que não voltarão mais, já aceitei.

Como um grande apaixonado por carros, cidades inteligentes e startups, imaginem a minha animação quando eu ouvi falar deste projeto. O nome já é inspirador: The Next Future Transportation Inc., que chamarei somente de NEXT para facilitar. Para mim, a marca soa como uma mistura de Vale do Silício com disrupção Muskeniana, não acha? Mas o cérebro e o coração do projeto estão na Itália, bem aqui ao meu lado. 

Conheci o jovem engenheiro Tommaso Gecchelin, CTO da NEXT, em junho deste ano em um networking de inovação promovido pela Região do Veneto, na Itália, e de cara me encantei com seu pitch. Tudo nasceu a partir de um projeto de final de curso da universidade que acabou virando uma startup ítalo-californiana que já recebeu mais de US$ 500 mil em investimentos.

A ideia é bem bacana e vem ao encontro de um problema enorme que temos em nossas cidades: como harmonizar o trânsito urbano mantendo o conforto e a comodidade de quem habita as periferias. Eu por exemplo, dificilmente deixaria de usar meu amado carrinho para ir da minha cidade (Bastia di Rovolon) para o centro da Padova.

Primeiro porque o transporte público, embora de qualidade, é bastante escasso por aqui. No meu caso, há somente ônibus a cada uma hora nos horários de maior movimento. Além disso, um trajeto que de carro eu faço em 25 minutos, leva quase uma hora no busão!

Se eu, apaixonado e militante da causa Smart City, não me convenço do transporte público, imagine se meu vizinho vai deixar em casa sua Maserati para ir trabalhar de ônibus. Aí entra o Tommaso e sua mente criativa: por que não criar módulos autônomos que quando sozinhos se assemelham a carros, mas unidos viram um ônibus? Uma espécie de transporte coletivo e autônomo sob demanda. Bingo! NEXT!

Parece coisa de 2050, certo? Que nada. O projeto não é somente viável, como já tem até protótipo 100% operativo e clientes na fila de espera. Fiz uma entrevista superdescolada com o Tommaso enquanto dávamos um passeio no primeiro veículo construído ali mesmo, na “garagem” dele.  Assistam ao vídeo que é praticamente um spoiler da nova geração da chamada MaaS – mobilidade-como-um-serviço.

Esta combinação de garagem e tecnologia disruptiva funciona muito bem lá nos Estados Unidos – Google e Apple que o digam! Contudo, quem sabe não estamos assistindo ao nascimento de um legitimo unicórnio mediterrâneo literalmente no fundo do meu quintal? Só o tempo nos dirá.

Nos vemos na próxima semana, sabe-se lá diretamente de que parte do mundo.

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Buscando uma carreira no exterior? Talvez agora seja a hora certa http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/03/buscando-uma-carreira-no-exterior-talvez-agora-seja-a-hora-certa/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/09/03/buscando-uma-carreira-no-exterior-talvez-agora-seja-a-hora-certa/#respond Tue, 03 Sep 2019 07:00:07 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=709

A cidade asiática que funciona 24h. Foto: Briyen (Flickr)

Quem nunca pensou em se aventurar mundo afora e deixar tudo para trás? Bem, eu nem conto mais como referência depois de ter fixado residência em oito países e visitado mais de 50. Mas a pergunta importante é: quando é a hora certa?

O tema é superparadoxal. Quando você é muito novo, sem experiência profissional e com formação acadêmica recente, não está pronto para aproveitar o máximo. Já quando está maduro, o custo de deixar tudo para trás é muito alto.

Os fatores externos também contam. Quando a economia nacional está “bombando”, as oportunidades sobram no mercado e fica difícil deixar esse momento especial para se aventurar no desconhecido. Já se estamos em crise, provavelmente não é hora de investir e sim de apertar o cinto.

Este mês, estive em Hong Kong em uma rápida viagem de negócios e reencontrei um velho amigo e conterrâneo, Eduardo Bertão. Tive o prazer de conhecer o Eduardo em 2012, logo depois que ele decidiu largar uma carreira na área financeira no Brasil para assumir um projeto desafiador de um banco brasileiro em Hong Kong. Nessa época, eu já tinha mais de seis anos morando em Pequim e era quase veterano na região.

Atualmente, Eduardo está à frente da gestão de investimentos de um megagrupo local. Entre arranha-céus e parques naturais, falamos sobre os desafios e benefícios de investir em uma carreira no exterior. Foi um encontro muito agradável, caminhando no coração do moderníssimo distrito financeiro da cidade. O mais bacana é que a entrevista foi gravada em um vídeo 360º, então você se sentirá lá conosco em Hong Kong. 

A cidade enfrenta atualmente a especulação imobiliária –um apartamento em área pobre chega a custar US$ 1 milhão lá. É um problema comum a grandes metrópoles e é também uma das bandeiras das manifestações que estão acontecendo na região neste ano. Ao mesmo tempo que o metro quadrado lá é um dos mais caros do mundo, ainda usam bambu para fazer os andaimes dos prédios. Uma cidade inteligente também mantém seu DNA cultural.

Pensando em trilhar novos caminhos profissionais? Então, não deixe de assistir ao vídeo, quem sabe você não encontra a dica ou a inspiração que falta para colocar seu projeto internacional em prática em 2020.

Não perca os próximos textos, Hong Kong é só o começo. Somente em setembro, visitarei as cidades de Abu Dhabi, Dubai, Barcelona, Helsinki, Pequim, Shenzhen, Hangzhou e Xangai. Ufa! Cansei só em citá-las! Um grande abraço e nos vemos no próximo texto.

Zaijian (adeus em Mandarim).

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Os nossos brasileirinhos estão conquistando o mundo pela robótica http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/08/27/os-nossos-brasileirinhos-estao-conquistando-o-mundo-pela-robotica/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/08/27/os-nossos-brasileirinhos-estao-conquistando-o-mundo-pela-robotica/#respond Tue, 27 Aug 2019 07:00:37 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=702

O Desafio do Robô é uma das quatro categorias do torneio. Foto: CNI

Semana passada estive rapidamente na belíssima cidade de Hong Kong. Deixando de lado os problemas políticos pelos quais eles estão passando, esse lugar ainda continua mágico para mim. Aproveitei para visitar a loja conceitual da Lego e, claro, fiz um vídeo bem legal para vocês. Todo ano a empresa promove desafios mundiais para crianças de 09 a 16 anos, voltado para alunos de escolas públicas ou particulares. Grupos de amigos também podem montar seus times, são as chamadas “equipes de garagem”. No Brasil, desde 2013, o SESI (Serviço Social da Indústria) é o operador oficial da competição nas etapas regionais e na nacional.

Para a temporada 2019/2020 o tema proposto é o City Shaper: construindo cidades inteligentes e sustentáveis. A ideia (que eu amei) é estimular os alunos a buscar soluções inovadoras para problemas dos centros urbanos. O desafio será apresentado a estudantes de São Paulo, hoje, terça-feira (27), no WTC, na capital paulista, no primeiro evento de divulgação da nova temporada e eu estarei lá pessoalmente!

Em cada torneio, os estudantes são avaliados em quatro categorias. Uma delas é o Desafio do Robô, quando os estudantes colocam os robôs de Lego para cumprir determinadas missões. Para isso, o robô pode capturar, transportar, ativar ou entregar objetos na mesa de competição. Os robôs, projetados e construídos pelos próprios alunos, também são avaliados na categoria Design do Robô. Os times podem utilizar sensores de movimento, cor, controladores e motores. Os juízes levam tudo isso em consideração, além da estratégia e programação.

Na temporada passada, com o tema Into Orbit (Em órbita), os brasileiros conquistaram 33 prêmios no Mundial de Robótica, em Houston (EUA), no torneio de Arkansas (EUA), no Aberto Internacional da Turquia, no Aberto de Robótica do Uruguai, Aberto de Robótica do Líbano, no Aberto de Robótica da Austrália (Ásia Pacífico) e no Aberto de Robótica de West Virgínia (Estados Unidos). Desde 2013, o Brasil já soma 66 prêmios internacionais.

Eu acredito muito nesta estratégia de promover a mudança de mentalidade na sociedade. Estamos vivendo o início de um novo momento na História mundial e no desenvolvimento da sociedade. Os avanços tecnológicos, a evolução da Inteligência Artificial (AI) e a mobilidade cada vez maior das pessoas são apenas algumas faces de um movimento transformador que parece ser cada vez mais acelerado. Já temos muitas perguntas sobre como será o amanhã, mas poucas respostas.

O que sabemos com certeza é que precisamos nos adaptar rapidamente às mudanças e preparar as novas gerações para o que virá. Esse enigma de preparar pessoas para um futuro que não conhecemos coloca em xeque, por exemplo, todo o modelo atual de educação, que se baseia na acumulação de conhecimento. Hoje, porém, é muito fácil obter informação (basta acessar o Google): o difícil é discernir o verdadeiro do falso e interpretar as informações para extrair insights e inovações. E temos que preparar nossas novas gerações para isso.

Pensar em Cidades Mais Inteligentes é pensar no ser humano como um todo. O que é “ser feliz” em um mundo altamente tecnológico? Como se darão as relações humanas nas grandes metrópoles mundiais? Como integrar pessoas de culturas totalmente diferentes? Essas são questões que precisam estar na cabeça de quem formula políticas públicas e de todos que fazem parte do ecossistema global das Smart Cities.

Vamos lá City Shapers do Brasil, eu acredito em vocês… Nos vemos daqui a pouco em São Paulo.

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