Cidades Mais Inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Thu, 02 Apr 2020 07:00:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Startup fornece carro de graça a equipes de saúde que combatem o covid-19 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/04/02/startup-fornece-carro-de-graca-a-equipes-de-saude-que-combatem-o-covid-19/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/04/02/startup-fornece-carro-de-graca-a-equipes-de-saude-que-combatem-o-covid-19/#respond Thu, 02 Apr 2020 07:00:32 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=1052 Questões sanitárias, altíssima demanda, negociação com fornecedores e até desmentir fake news. Assim tem sido a jornada da Turbi, uma startup de compartilhamento de carros que ofereceu seu produto de graça para profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus no país.

O blogueiro do Tilt Renato de Castro conversou com o CEO e cofundador da Turbi, Diego Lira, sobre a iniciativa da empresa. Confira abaixo:

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Live: empresa oferece transporte a profissionais que combatem o coronavírus http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/31/solidariedade-covid-19-empresas-brasileiras-que-estao-ajudando-no-combate/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/31/solidariedade-covid-19-empresas-brasileiras-que-estao-ajudando-no-combate/#respond Tue, 31 Mar 2020 07:00:04 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=1040

Entrevista ao vivo com empresários brasileiros que estão ajudando a sociedade de alguma forma neste momento de crise (Imagem: RDC / CSSE)

[Atualizado às 18:05 de 31 de março de 2020]

Recentemente, uma matéria da BBC publicada aqui no UOL retratou que além dos longos turnos e pressão para salvar vidas, infelizmente, os profissionais de saúde têm encontrado hostilidade no transporte público da capital paulista ao ir ou voltar do trabalho. Em um momento político com divergências em todas as instâncias, creio que está mais do que na hora da sociedade dar suporte para os profissionais que estão trabalhando para nos ajudar.

Como vocês devem ter acompanhado, eu estou no meio da pandemia do coronavírus aqui na Itália e um dos aprendizados que tiramos disso tudo é que unidos somos mais fortes. Aqui, empresas estão trabalhando lado a lado com a comunidade para que a máquina não pare de girar e para que consigamos minimizar, nem que seja somente um pouco, o impacto do covid-19 em nossas vidas. Mas qual é a responsabilidade de cada um neste momento?

A partir de terça-feira (31), irei realizar entrevistas ao vivo com empresas do Brasil que também estão ajudando a sociedade de alguma forma neste momento de crise para entender melhor o que cada um de nós pode fazer. Ao que parece, uma empresa paulista encontrou uma solução para minimizar o sofrimento dos profissionais de saúde no transporte público.

Como já falamos anteriormente, os carros compartilhados vieram para ficar e ajudam de certa forma a circulação de pessoas principalmente nas grandes cidades. Pegando uma carona no tema, bati um papo com o CEO e cofundador da Turbi, Diego Lira, sobre a iniciativa da companhia de oferecer vouchers de aluguel de carros gratuitamente para médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, biomédicos e fisioterapeutas até o final do mês de abril. Superbacana, né!

Você apoia iniciativas como essa? Quer saber mais sobre isso? Confira como foi a discussão. Link para a live no Facebook

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“Idiotas”: prefeitos italianos detonam moradores que não cumprem isolamento http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/idiotas-prefeitos-italianos-detonam-moradores-que-nao-cumprem-isolamento/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/idiotas-prefeitos-italianos-detonam-moradores-que-nao-cumprem-isolamento/#respond Wed, 25 Mar 2020 07:00:55 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=1029
Os prefeitos italianos perderam a paciência com os moradores que se recusam a ficar em casa durante a quarentena imposta no país por causa da epidemia de coronavírus. E os políticos não pouparam vocabulário para demonstrar irritação e dar uma dura nos cidadãos.

“Idiotas irresponsáveis”, gritou Massimiliano Presciutti, prefeito de Gualdo Tadino, em um vídeo endereçado aos moradores de sua cidade. “Onde vocês estão indo com esses cachorros com incontinência?… Vocês precisam ficar em casa. Pessoas estão morrendo, vocês não percebem?”, disse.

Vincenzo De Luca, presidente da região de Campania, chegou a ameaçar estudantes que pretensamente iriam se reunir para comemorar a formatura. O político afirmou que iria enviar policiais armados com lança-chamas. “Ouvi dizer que alguns estão planejando uma festa de formatura. Iremos enviar a polícia armada e eles estarão com lança-chamas”, falou.

Outro prefeito estava irritado com os moradores que contratavam cabeleireiros para irem às suas casas. “Todos esses cabeleireiros que estão indo para sua casa… para que diabos é isso? Quem vai ver você? Se uma pessoa vai na sua casa e vai na minha casa e ela já esteve na casa de outras pessoas cuidando do cabelo delas… Você vai ter coronavírus na sua cabeça ao invés de spray de cabelo”, berrava irritado o prefeito de Lucera, Antonio Tutolo.

Giuseppe Falcomatà, prefeito de Reggio Calabria, contou que encontrou um cidadão na rua e passou uma dura. “Eu encontrei uma pessoa que praticava, com alegria, sua corrida, junto com seu cão, visivelmente exausto. Eu disse a ele que isso não é um filme e você não é Will Smith em ‘Eu Sou a Lenda’. Por isso, vá para casa agora!”

Gianfilippo Bancheri, prefeito de Delia, tentou argumentar contra o hábito de sair de casa com frequência. “Ouvi dizer que tudo ficará bem, mas como pode ficar bem se continuamos a sair todos os dias para fazer compras, abastecer ou dar uma corrida?”

Outro vídeo mostra o prefeito de Bari, Antonio Decaro, convocando quem encontrava na rua a retornar para casa. “Pessoas estão morrendo, vocês entendem isso? Vocês também vão me deixar doente, com problema de coração”, disse.

Um cidadão italiano que mora no Reino Unido compilou esses vídeos e publicou o material com legendas em inglês no perfil @protecttheflames, no Twitter, e logo viralizou. O vídeo já teve mais de 6,8 milhões de visualizações e ganhou uma continuação, com outros prefeitos irritados com os moradores.

A Itália está em quarententa em âmbito nacional desde 9 de março. Apesar dessa e de outras medidas, os números continuam a aumentar: são mais de 54 mil casos confirmados de pessoas com covid-19 e mais de 6.800 mortes.

E no Brasil, como o prefeito da sua cidade está agindo para enfrentar a epidemia? O que as autoridades estão fazendo?

 

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Supermercado italiano marca lugar de cliente para reduzir contágio na fila http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/18/supermercado-italiano-marca-lugar-de-cliente-para-reduzir-contagio-na-fila/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/18/supermercado-italiano-marca-lugar-de-cliente-para-reduzir-contagio-na-fila/#respond Wed, 18 Mar 2020 18:16:32 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=1019

Supermercado marca com “X” a distância de um metro entre clientes para reduzir risco de contágio do coronavírus (Renato de Castro)

De um lado, uma população com grande restrição de mobilidade e contato social, mas que precisa se abastecer com itens básicos como alimentos e produtos de saúde. De outro, supermercados e o comércio em geral, que devem respeitar uma série de normas durante a quarentena por causa da epidemia do coronavírus. Mas estes também devem lutar pela sobrevivência em um cenário em que os clientes podem não aparecer ou podem surgir aos montes em uma corrida desesperada por abastecimento.

Como conciliar esses dois lados em uma situação de emergência como a vivida pela Itália hoje? Uma resposta pode estar na experiência de um supermercado em Rovolon, na região do Vêneto.

Fabio Beggiato, proprietário da loja da rede Carrefour Market, adotou medidas simples para agir durante a quarentena. Segundo as normas impostas pelas autoridades, as pessoas devem manter uma distância mínima de um metro entre elas para minimizar os riscos de contágio. O procedimento  é válido nos estabelecimentos de comércio de alimentos, como supermercados.

Assim, em todos os balcões do supermercado onde o cliente deve aguardar para ser atendido por um funcionário, há uma marcação no piso com um “X” mostrando onde a pessoa deve ficar respeitando a distância de um metro em relação ao próximo cliente. A marcação também está presente na fila do caixa.

Um funcionário também controla a entrada dos clientes para que não haja excesso de pessoas dentro da loja e amplie o risco de contaminação. Por causa dessa restrição, Beggiato recomenda que apenas uma pessoa por família vá ao supermercado, para que não corra o risco de uma família tomar o lugar de outro cliente que necessite fazer compras.

Os funcionários também devem respeitar algumas regras. Eles devem trabalhar com máscaras e luvas. A regra de distância de um metro também é válida para eles. Por isso, está proibido formar pequenos grupos de trabalhadores.

Folheto distribuído no supermercado explica funcionamento do serviço de delivery (Reprodução)

Mas tudo isso não poderia ser resolvido pelo serviço de delivery contratado pelo site do supermercado? Bem, o pequeno supermercado do interior da Itália não tem site, o que deve ser uma situação bastante semelhante a de mercados de bairros ou de pequenas cidades brasileiras.

A solução encontrada, então, foi usar o WhatsApp, email e telefone para atender os clientes e, em especial, os idosos. “Eles poderiam ter mais dúvidas em usar uma tecnologia como a internet”, diz Beggiato. Os detalhes de funcionamento do serviço são divulgadas em folheto distribuído no supermercado.

O serviço de entrega de compras é uma medida excepcional. Ele existe apenas por causa da epidemia de coronavírus. Por isso, Beggiato calculou que seria capaz de fazer 15 entregas por vez. “Se mais pessoas pedem pelo serviço, não vou conseguir atender”. O delivery se destina a localidades distantes até 10 km do supermercado.

Toda essa estrutura foi criada para resolver um problema atual e emergencial de forma simples e eficaz. Não há um plano para o supermercado abrir uma loja virtual ou um site para fazer comércio online.

Todas as informações foram compartilhadas com moradores da região em uma live realizada na página Smart School Veneto no Facebook.

Até o momento, não há registro de desabastecimento. Os produtos têm chegado ao supermercado e as prateleiras estão cheias.

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Contra isolamento, “happy hour digital” ajuda a manter vida social italiana http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/16/contra-isolamento-happy-hour-digital-ajuda-a-manter-vida-social-italiana/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/16/contra-isolamento-happy-hour-digital-ajuda-a-manter-vida-social-italiana/#respond Mon, 16 Mar 2020 18:08:23 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=1013
Com a população italiana isolada em suas casas, surge um novo desafio: como gerenciar essa vida dentro de casa. “A resiliência do cidadão agora está sendo colocada à prova todo dia. As pessoas estão ficando malucas dentro de casa”, diz Renato de Castro.

“Nós estamos em casa há apenas uma semana, mas com todas as crianças, com tudo. Só podemos sair de casa por alguns motivos especiais, mas, mesmo assim, super burocráticos”, acrescenta.

Como exemplo, Castro relata a burocracia para levar seu sogro ao hospital. Ele está em cadeira de rodas se recuperando de uma cirurgia no joelho. Ele foi levado de carro pela filha, a mulher de Castro, acompanhado da esposa. “O hospital fica a cerca de 20 km de casa. Eles tiveram que fazer 12 autorizações: seis para a ida e seis para a volta. Se a polícia te pega na rua sem uma justificativa certa, você corre o risco de ser preso”.

Com esse cenário de restrição de mobilidade e a percepção de que o italiano, assim como o brasileiro, tem uma necessidade social muito forte, Castro refletiu sobre como usar a tecnologia para promover resiliência e ajudar as pessoas nesse momento. Foi assim que surgiu a ideia de se criar um “happy hour digital”.

Reprodução

“Na Itália temos uma tradição muito forte de todo dia depois do trabalho fazer um happy hour com os amigos, que é chamado de aperitivo. Os italianos gostam muito desse contato e as pessoas têm um pouco de aversão a tecnologia”, diz.

Para a realização do “happy hour digital”, chamado de “Aperitivo Digitale”, foi criado um tutorial para ensinar as pessoas a usar em os aplicativos existentes. O primeiro evento aconteceu no sábado (14) e foi bem-sucedido.

“É muito importante não deixar cair o moral da comunidade e manter muito forte esse vínculo de pertencimento à comunidade. Isso é cidade inteligente”, diz Castro.

Não vamos deixar que as pessoas se tranquem e que percam sua vida social porque iria virar um caos. Nós estamos em uma guerra, mas em uma guerra em um dia de sol, sem cair uma bomba, e às vezes as pessoas não percebem a urgência, a necessidade de se proteger e tentar minimizar ao máximo a evolução dessa crise”

Renato de Castro

Entenda como o coronavírus se espalhou e se tornou uma epidemia na Itália em poucos dias neste vídeo:

P.S.

As atualizações e novas informações não param de surgir na Itália. Um dado da manhã já é outro à tarde. Isso é um cenário de guerra. A todo momento surgem novas medidas, o que torna a atualização do blog bastante complexa. E o Brasil parece se encaminhar para um cenário parecido

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Com UTIs lotadas, médicos vivem dilema de escolher o paciente que vai viver http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/14/com-utis-lotadas-medicos-vivem-dilema-de-escolher-o-paciente-que-vai-viver/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/14/com-utis-lotadas-medicos-vivem-dilema-de-escolher-o-paciente-que-vai-viver/#respond Sat, 14 Mar 2020 14:00:12 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=979
Com mais de 15 mil casos de coronavírus, a Itália vive um dilema nos corredores dos hospitais. Mais de 10% das pessoas infectadas precisam ir para a UTI (unidade de tratamento intensivo). Com isso, os leitos foram rapidamente tomados e já não há vagas para todos os pacientes em estado grave. “O médico tem que decidir quem tem mais chances de sobreviver e quem tem menos”, relata Renato de Castro.

Na Itália, o serviço público sempre funcionou bem, mas a epidemia de covid-19 transformou a realidade dos hospitais. “Hoje, quem sofreu um infarto ou acidente de carro e precisa de tratamento intensivo no hospital, não vai ter”, diz.

Além da superlotação, os hospitais enfrentam a falta de equipamentos como o respirador, usado no tratamento de pacientes em estado grave.

A Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Reanimação e Terapia Intensiva (Siaarti, na sigla em italiano) divulgou um documento em que aponta as necessidades de se tomar decisões difíceis neste momento.

“Em uma situação tão complexa, todo médico pode ter que tomar decisões dilacerantes de um ponto de vista ético e clínico em um curto espaço de tempo: quais pacientes são submetidos a tratamentos intensivos quando os recursos não são suficientes para todos que chegam, nem todos com a mesma chance de recuperação”.

Em outro trecho, o documento defende privilegiar a “maior esperança de vida”. “Isso significa não ter que necessariamente seguir um critério de acesso do tipo ‘first come, first served’ (primeiro a chegar, primeiro a ser atendido) à terapia intensiva. Queríamos sublinhar que a aplicação dos critérios de racionamento é justificável somente depois que todos os esforços foram feitos por todas as partes envolvidas para aumentar a disponibilidade de recursos que podem ser fornecidos e após avaliar qualquer possibilidade de transferência de pacientes para centros de tratamento com maior disponibilidade de recursos.”

Total de casos de coronavírus na Itália até o dia 10 de março (Fonte: Worldmeters.info)

No interior do país, como na região do Rovolon, o atendimento é feito por médicos de base, a versão italiana dos médicos de família do Brasil. Esses profissionais estão solicitando para fechar seus consultórios por causa do contágio de coronavírus que está se espalhando entre eles. Na região de Bergamo, na Lombardia, norte do país, 50 médicos foram infectados pelo coronavírus. Segundo o jornal “La Reppublica”, três médicos morreram por causa da epidemia.

O presidente da Federação Nacional das Ordens de Cirurgiões e Dentistas (Fnomceo, na sigla em italiano), Filippo Anelli, solicitou ao governo a suspensão do livre acesso de pacientes aos ambulatórios para conter o contágio.

“A gente já não tem hospital, porque todos estão lotados, e se os médicos de base pararem, a Itália vai ficar sem médicos para atendimentos”, afirma Castro.

Na noite de quinta-feira (12), o governo anunciou uma campanha nacional de doação de sangue. A todo momento há uma atualização ou uma informação emergencial. “O sentimento que a gente tem aqui é de estado de guerra. O primeiro-ministro surge na TV e corre todo mundo para a frente da televisão para saber o que está acontecendo”, afirma Castro.

Total de mortes causadas pelo coronavírus na Itália até o dia 10 de março (Fonte: worldmeters.info)

P.S.

Por causa da epidemia, os professores de Rovolon não podem mais ir para a escola para dar aulas online durante esse período de quarentena, como ocorreu no primeiro dia (veja como foi a experiência aqui). Mas com a ajuda do governo local, foram comprados 12 computadores que serão entregues aos professores para que eles possam prosseguir com o trabalho.

A pedido do governo municipal, Renato de Castro iniciou uma força-tarefa voltada para o setor de economia. Para esse projeto, foi criado a página “Rovolon Contro il Virus” no Facebook.

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Pelo WhatsApp, Itália promove flash mob para espantar o medo do coronavírus http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/13/pelo-whatsapp-italia-promove-flash-mob-para-espantar-o-medo-do-coronavirus/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/13/pelo-whatsapp-italia-promove-flash-mob-para-espantar-o-medo-do-coronavirus/#respond Fri, 13 Mar 2020 21:50:00 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=990

Eram 18 horas desta sexta-feira (13) na Itália (14 horas em Brasília) quando os instrumentos musicais começaram a soar. De norte a sul do país, italianos pegaram violões, flautas e outros instrumentos, foram para as janelas e sacadas e começaram a realizar um gigantesco concerto. A melodia foi a forma que a população encontrou para enviar uma mensagem para espantar o medo do coronavírus.

“Quem não tinha um instrumento musical, podia cantar. Quem não cantava, podia bater palma”, diz Renato de Castro.

O flash mob foi organizado pelo WhatsApp, segundo o jornal “Corriere della Sera”, e logo a proposta se espalhou pelas redes sociais.

Mensagem convocando o flash mob que circulou pelas redes sociais (Reprodução)

“Abriremos as janelas, sairemos para a sacada e tocaremos juntos, mesmo que estejamos longe um do outro. Não importa saber ler uma partitura, tocar um instrumento ou mesmo tê-lo. Basta cantar uma música ou batucar as jarras de casa. O importante é se fazer ouvir porque a música é o melhor remédio para curar a alma, e neste momento nós temos necessidade disso”, dizia a mensagem que se espalhou pelo país com a convocação do flash mob.

O italiano Matteo Pescarolo, o clarinetista do vídeo lá de cima, mora em Vêneto e é casado com uma brasileira. Ele estava pensando em passar uma temporada no Brasil, mas por causa da pandemia, foi desencorajado de ir. Nesta sexta-feira, Pescarolo, que é músico e trabalha na rede de televisão italiana Rai, mostrou seu talento durante o flash mob.

O evento nacional provocou cenas emocionantes como este (veja abaixo): o trompetista Raffaele Kohler fez um concerto inesperado tocando “O mia bela Madunina” da janela. Quem acompanhou a apresentação aplaudiu com entusiasmo.

Nas imagens que começaram a se espalhar pelas redes sociais, era possível observar as cidades desertas sendo tomadas por música, ora clássicos italianos ou canções populares, ora uma sinfonia meio caótica de instrumentos musicais. Ao final, era comum ouvir uma salva de palmas. O hino nacional italiano também esteve presente.

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Cidade em quarentena por coronavírus cria força-tarefa de aula a distância http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/12/como-uma-cidade-inteligente-reage-durante-a-quarentena-do-coronavirus/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/12/como-uma-cidade-inteligente-reage-durante-a-quarentena-do-coronavirus/#respond Thu, 12 Mar 2020 07:00:32 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=951
A epidemia de coronavírus que atinge a Itália colocou todo o país em quarentena. Cerca de 60 milhões de pessoas tiveram seu direito de movimentação restrito, além de reuniões públicas estarem proibidas até abril. Em Rovolon, na região do Vêneto, norte do país, a poucos quilômetros do epicentro do surto de covid-19, os moradores estão bloqueados em suas casas e as crianças estão impedidas de irem à escola. Mas um projeto emergencial está usando o Facebook para não interromper a educação das crianças e ainda transformando professores analógicos em influenciadores digitais. “Conseguimos colocar uma força-tarefa para levar educação a distância para nossos filhos”, disse Renato de Castro, que mora em Rovolon e é coordenador desse projeto.

O projeto nasceu com quatro conceitos principais em um momento de emergência:

  1. “Keep it simple” (mantenha simples, em inglês) – fazer o projeto de maneira objetiva e direta
  2. Criar uma rotina para os estudantes – fazer com que todos os dias eles tenham pelo menos uma hora de aula online e estejam lá naquele mesmo horário. Assim os estudantes e os professores não irão se sentir em férias.
  3. Manter o contato – ainda que digital, a proposta é a criança olhar no olho do professor.
  4. Aproveitar as oportunidades da crise – questões de privacidade e burocracia, por exemplo, que não seriam tratadas ao longo de meses, estão sendo abordadas agora em pouco tempo.

No Facebook, a página Smart School Veneto concentra as atividades educacionais. Na fanpage foram criadas nove turmas, que englobam do jardim de infância até o nível secundário. A página na rede social também traz um tutorial explicando o passo a passo para cada aluno ingressar na respectiva turma.

Para se comunicar com os pais, a equipe do projeto utilizou o WhatsApp. Em um único grupo foram reunidos 58 representantes que respondem por 850 famílias e 1.200 alunos.

Na quarta-feira (11), aconteceu a primeira aula online.

Alunos de Rovolon têm aulas online após epidemia de Covid-19. Crédito: Renato de Castro/UOL

No vídeo postado no Facebook do projeto, é possível conferir como foram as primeiras experiências de interação online entre os professores e seus alunos. Uma professora relatou seu estranhamento da situação. “É uma sensação estranhíssima para mim. É preciso dizer que sinto falta de vocês, porque ir à escola e encontrá-la vazia, sem crianças, não parece ser uma escola”, disse.

 

Outra professora disse que o projeto foi um meio dos alunos retornarem à escola. “Aqui estamos  de volta à escola, de uma maneira um pouco diferente, mas estamos de volta à escola”, disse.

Do outro lado da tela, uma mãe testemunhou que seu filho estava emocionado, com lágrimas nos olhos, porque viu seu professor, de quem ele tinha saudades, entrando em seu mundo, em sua casa.

“Conseguimos organizar um plano para levar a sala de aula para mais de 1.200 alunos da nossa região. Uma verdadeira legião de professores heróis, para muitos deles a primeira vez online e no Facebook, mas firmes e super motivados. Nossos filhos em casa e em seu ambiente mais conhecido (o online) assistiram por 60 minutos seus professores. Foi lindo”, disse Castro.

Professores super tradicionais, alguns que nem tinham Facebook, criaram sua conta, invadiram as casas e entraram no mundo das crianças. Os professores viraram verdadeiros influencers. Meu filho de nove anos falou isso: ‘cara, hoje a minha professora virou a minha influencer’. Isso foi uma coisa avassaladora na nossa realidade aqui na Itália, que é extremamente analógica”

Renato de Castro

A ideia do projeto é que a estratégia de ensino mude com o tempo. Nessa primeira semana, a proposta é ter uma hora de aula ao vivo. Desse total, cerca de 25 minutos é de aula expositiva e o resto do tempo é dedicado para a interação do professor com os alunos via Facebook Live. Também é previsto cerca de duas horas para o estudante se dedicar aos deveres de casa.

A escola de Rovolon onde Castro está atuando é pública. “Tem muita burocracia e depende de vários fatores, mas, nesse caso, como emergência, a gente conseguiu colocar todos os atores interessados no processo decisório”, afirmou.

Por exemplo, no final da tarde de terça-feira (10), foi colocada uma antena para aumentar a velocidade da internet de 5 mega para 50 mega na escola. A prefeita foi até o local para abrir a escola para permitir a instalação e, de maneira voluntária, um empresário do setor de telefonia e internet colocou o equipamento. No dia seguinte estava tudo pronto para dar início ao curso online.

Para se ter uma comparação, em uma outra escola pública, demorou três meses para se instalar uma rede de internet adquirida por doação. Tendo em vista esses entraves burocráticos, é possível notar que o projeto em Rovolon deixa um legado importante para a comunidade.

Segundo Castro, o que esse projeto mostra é o que se está fazendo para tornar a cidade mais inteligente em um momento de crise.

Isso é cidade inteligente: é você usar todos os recursos que você tem, junto com a tecnologia, mas, principalmente, junto com as pessoas, com os interessados”

Renato de Castro

 

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Coronavírus mostra que alunos dentro de sala de aula é modelo ultrapassado http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/10/coronavirus-acende-luz-amarela-alem-da-saude-educacao-tambem-em-risco/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/03/10/coronavirus-acende-luz-amarela-alem-da-saude-educacao-tambem-em-risco/#respond Tue, 10 Mar 2020 07:00:48 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=935

Funcionária limpa sala de aula de colégio em Turim, na Itália. Escolas do país estarão fechadas até 3 de abril (Massimo Pinca/Reuters)

Recentemente, todos temos acompanhado o desenrolar da proliferação do coronavírus pelo mundo, tendo o Brasil confirmado  25 casos até o momento. Além do claro problema de saúde pública, essa crise global tem afetado economias e até mesmo o aprendizado de futuras gerações e profissionais. A Itália, onde eu moro, é o segundo país com mais óbitos ligados ao vírus e também o segundo com mais casos da infecção no mundo. Como medida para evitar a propagação do covid-19, o governo resolveu colocar toda a região da Lombardia e mais 14 províncias em quarentena, incluindo a minha (Padova), mandando para casa milhões de estudantes ao fechar as escolas até o dia 3 de abril. Tal medida trouxe à tona o quão dependente do tradicional método de ensino “professor-aluno-sala de aula” o país é.

Com as escolas e universidades fechadas, o ensino parou e todo cronograma de aprendizado foi afetado. Em minha região, faço parte, como voluntário, de uma força-tarefa do governo que está tentando conectar professores e alunos de modo alternativo para que o aprendizado continue sem colocar a saúde dos cidadãos em risco. Mas o que pode ser feito?

Segundo alguns especialistas, o modelo tradicional de escola que conhecemos foi desenvolvido em um período em que se era necessário formar cidadãos para trabalhar majoritariamente em fábricas. Lembra que já falamos disso em outro texto? Com o passar dos anos, a sociedade mudou, nossas necessidades também, mas os métodos de ensino permaneceram os mesmos.

Escolas com salas padronizadas, com carteiras alinhadas simetricamente, onde crianças uniformizadas, todas nascidas no mesmo ano, passam pelo menos 4 horas por dia recebendo informações sobre o passado, de forma linear e impessoal, certamente não formará cidadãos flexíveis e competitivos para o futuro incerto que nos espera. (Acervo Arquivo Público de São Paulo)

Há alguns anos, o conceito de “learning space” (espaço de aprendizado) surgiu como uma alternativa para que o ensino seja adaptado ao hoje. A ideia é um tanto quanto vasta e diversos modelos como integrativo, baseado em projetos e de academia podem ser explorados. O que eles têm em comum é que há uma variedade de estilos, configurações e locais que podem ser utilizados para que o aprendizado seja o melhor possível.

Entre os tipos de instalações educacionais está o AVA (ambiente virtual de aprendizagem) que nada mais é do que plataformas disponíveis na internet para aprendizado. Se você nunca teve oportunidade de interagir com um sistema desse, ele é bem interessante. Além de seguir uma estrutura e conteúdo básico como qualquer curso, também é possível definir avaliações em períodos diferentes de aprendizado, ter atividades e interações entre participantes e analisar relatórios e resultados, por exemplo.

Embora o modelo tenha sido adotado com sucesso em diversos países da Europa, infelizmente, a Itália não é um deles e por isso estamos tentando “correr atrás do prejuízo” no momento. Engane-se quem pensa que os AVAs são somente para cursos à distância: cada vez mais, há uma integração entre o mundo real e virtual. Dessa forma, além dos alunos terem a oportunidade de seguirem seu próprio ritmo, eles têm a chance de verificar conteúdos adicionais e compartilhar experiências online. A identificação de dificuldades de aprendizado e falhas no ensino também fica mais clara para as instituições educacionais, o que permite que ajustes sejam feitos ao longo do processo.

Se a Itália já tivesse consolidado ambientes virtuais de aprendizagem no passado, mesmo com o fechamento temporário das escolas, o ensino seguiria de alguma forma em paralelo. Mas o que o coronavírus tem nos mostrado é que mesmo em nações consideradas como de primeiro mundo, nós ainda estamos emperrados no século passado.

Como você vê a integração do mundo real e virtual? Quais aprendizados você acha que as nações tirarão dessa crise? Na sua região isso seria diferente? E o principal, o nosso Brasil está preparado para um estado de “vamos parar o país por algum tempo”?

Em ano de eleição, é importante entender como os políticos têm se posicionado em relação a isso. Deixe os seus comentários abaixo para sabermos como seria uma crise desse calibre em cada canto do Brasil. Nos vemos no próximo texto.

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O fim de “O Mecanismo”: governo digital é a cura para um sistema corrupto? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/02/26/seria-o-governo-digital-uma-arma-capaz-de-curar-o-cancer-do-mecanismo/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/02/26/seria-o-governo-digital-uma-arma-capaz-de-curar-o-cancer-do-mecanismo/#respond Wed, 26 Feb 2020 07:00:28 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=911

Brasil ocupa a 44ª posição no ranking da ONU de países que adotam os conceitos de governança digital (Renato Araujo/Agência Brasília)

Três dias de molho em casa com uma gripe chata. Tosse, febre, dores no corpo e muito, muito tempo para ver televisão. Essa foi a combinação perfeita da semana passada que me deu a oportunidade de finalmente devorar a tão comentada série brasileira O Mecanismo. Acho que “comi” uns 16 episódios em menos de 48 horas. Como toda boa farra gastronômica, as consequências você sente mesmo é durante o processo de digestão. 😳 

Câncer é câncer. Se não extirpar logo, ele espalha.”

— O Mecanismo

Não estou aqui hoje para dar minha opinião pessoal sobre a veracidade ou imparcialidade da trama, até porque muitos poderiam dizer – e com razão – que o fato de eu estar há mais de 15 anos fora do Brasil não me credencia muito para julgar. Sempre aquele velho argumento: “você não passou por isso para saber!” Ah, já ouvi muito isso… semana passada inclusive …  

Meu ponto aqui é no argumento proposto de que o problema político-econômico-social no Brasil é histórico. A corrupção está no nosso DNA desde quando nascemos como nação e, pior, esse processo se desenvolveu e foi perfeiçoado ao longo dos anos de forma sistemática e metódica, criando um ciclo que se retroalimenta. “O Mecanismo” retratou isso muito bem  e realmente prendeu minha atenção. Kudos! É triste, sim, é verdade, mas não é incurável como muitos, incluindo o Ruffo, pensam. E mais: acho que a solução está bem mais próxima e acessível do que parece.

Não tem partido, não tem ideologia, não existe esquerda ou direita. Quem está no governo tem que botar a roda pra girar, é um padrão.”

— O Mecanismo

Para você, qual é o significado de digital? Fácil, não? O termo se popularizou tanto que encontramos ele sendo usado para qualificar praticamente tudo. Influenciador digital, mundo digital, transformação digital, governo digital… o significado de digital vai muito além de simplesmente uma transição entre o físico e o virtual. Segundo o dicionário Michaelis, o adjetivo digital, no contexto informático, quer dizer “dispositivo que opera com valores binários exclusivamente” e é exatamente nessa característica binária que está o nosso “pulo do gato”. Nesse contexto, o digital não fala e nem entende a linguagem política e jurídica, assim, não há espaço para nossos tão queridos advérbios de dúvida (possivelmente, talvez, aparentemente, supostamente, provavelmente…), nem tão pouco para as consagradas conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia…). No digital, só há espaço para 0 ou 1;  sim ou não; certo ou errado.

Tudo isso nos leva à hipótese de que o tão discutido e esperado governo digital pode ser uma solução para, finalmente, desarticular o famigerado mecanismo tradicional. Na verdade, não é uma questão de curar o câncer do mecanismo, mas sim em mudar completamente as regras do jogo; um novo mecanismo. É exatamente isso que já está acontecendo aqui fora tendo o processo de transformação digital dos governos acelerado a partir de 2001.

Aqui na Europa, a Estônia é uma das pioneiras em transformação digital e seus resultados já são usados como benchmarking para todo mundo. O sucesso desse tipo de abordagem é tanto que já existe até um ranking mundial da ONU classificando os países que adotam os conceitos de governança digital. Dos 193 da lista, o Brasil ocupa atualmente a 44ª posição (2018). Uma performance muito ruim se considerarmos que somos a quarta maior população usuária de internet no mundo. :/

Apesar do desempenho ruim no ranking da ONU, tudo indica que estamos no caminho certo, afinal, temos até um secretário responsável pelo governo digital no Ministério da Economia, o senhor Luís Felipe Monteiro. Sua secretaria tem mais de 1000 projetos digitais que incluem o novo documento de identidade digital, uma plataforma online que visa centralizar todos os canais do governo federal e a digitalização do registro de empresas.

Durante um evento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) na Bélgica no ano passado, o secretário Monteiro declarou que o Brasil havia inaugurado 320 novos serviços digitais somente em 2019. Ainda segundo ele, quase R$ 1 bilhão foi economizado ao reduzir gastos públicos e diminuir o custo Brasil (burocracia) para o cidadão. Em sintonia com os números apresentados pelo secretário, o Movimento Brasil Competitivo (MBC) estima que, neste ano, o Brasil poderá economizar R$ 1,7 bilhão com os projetos que estão sendo implementados. Dados como esses comprovam que qualquer investimento em governança eletrônica se justifica pela economia oriunda da transformação digital.

O processo de transformação é longo e penoso, mas talvez seja a única cura possível para a nossa doença degenerativa, que, diga-se de passagem, já está em metástase há bastante tempo. Certamente o projeto de digitalização do INSS está na lista dos casos apresentados por Monteiro, por exemplo, contudo, agora precisamos terminar e colocar para funcionar bem. Um grande desafio. Se alguém disser que processos desse tipo são rápidos e fáceis, estão tentando lhe enganar.

O mecanismo está em tudo. No flanelinha que recicla talão, na carteira falsificada pra pagar meia entrada, no suborno pro guarda aliviar a multa… E os ricos mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres.”

— O Mecanismo

Finalmente, o tão cultuado jeitinho brasileiro de resolver problemas que, na minha opinião, é mais sinônimo de corrupção do que criatividade e está arraigado em nosso DNA cultural, está com os dias contatados.  Em um sistema binário (digital) é 0 ou 1; sim ou não; certo ou errado… O mais belo (e provavelmente mais trágico) de tudo isso é que os algoritmos* irão controlar o novo mecanismo e não mais “seres humanos”. Nas eleições de 2018, escrevi um texto questionando como seria se nosso presidente fosse uma inteligência artificial, lembra? Pode estar mais próximo do que pensamos. Agora, fiquei curioso para saber se você disse “amém!” ou “Deus me livre”.

Pelo histórico negativo que temos, muitos devem estar dizendo que essa tal transformação digital não vai conseguir mudar nada no Brasil. Eles, “os de Brasília”, sempre dão um jeito para tudo, certo? Pode ser que até consigam dificultar e atrasar o processo, mas eu duvido que consigam evitar com que ele aconteça.

Acredite, na hora que tudo estiver lá no chamado mundial digital, tudo online, transparente e ao dispor de todos, será irreversível. 0 ou 1, lembra? Não haverá margens para o ladrão do colarinho branco que desvia a merenda das mesas de nossas escolas e nem mesmo para seu amigo que abre mão da nota fiscal por um descontinho camarada de três tostões. Já não importa mais se hoje somos o resultado desse mecanismo cruel de séculos e não conseguimos mudar. Será o novo mecanismo, o digital, que moldará a nova sociedade brasileira. Como dizia o meu mais novo amigo de infância: “O Brasil, definitivamente, não é para amadores”. Que venha o governo digital então.

 Até a próxima semana.

*Aos céticos de plantão: eu sei que você já está pronto para argumentar que por trás das máquinas e algoritmos tem seres humanos e por trás deles ainda pode haver políticos, banqueiros etc. querendo manipular o novo mecanismo. Isso é tema para nossos próximos capítulos  😉

 

 

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