Cidades Mais Inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Sun, 19 Jan 2020 19:29:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 O que o Japão está criando para povoar uma cidade inteligente em um ano http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/01/14/tecnologia-japonesa-nas-ruas-e-em-toda-cidade/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2020/01/14/tecnologia-japonesa-nas-ruas-e-em-toda-cidade/#respond Tue, 14 Jan 2020 07:00:25 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=858

Projeto da cidade da Toyota que se chamará Woven City (Divulgação/Toyota Woven City)

Quando falamos sobre a Toyota, você provavelmente deve ligar a marca aos carros que ela produz desde 1936. E se eu disser que a empresa começou o ano de 2020 com um anúncio de uma cidade inteligente?

É isso mesmo, durante o principal evento de tecnologia e inovação do mundo, o CES (Consumer Electronics Show), o presidente da Toyota Motor Corporation, Akio Toyoda, anunciou a Woven City (cidade entrelaçada), que deverá entrar em operação no início de 2021. Eu já falei aqui no blog sobre outras smart cities que estão em desenvolvimento, mas nenhuma delas teve um período tão curto para receber os primeiros habitantes (cerca de um ano) e a proposta de não ser somente um lugar onde as pessoas irão residir como também será utilizado de laboratório em grande escala.

Quando eu falo laboratório, não quero dizer aqueles milhares de tubos de ensaio com fumaças e líquidos de cores diversas, embora eles provavelmente existirão por lá, mas sim itens tecnológicos que estão em desenvolvimento (ou serão ainda desenvolvidos) e que irão impactar diretamente os moradores. A empresa japonesa convidará pesquisadores e cientistas de todo o mundo para que eles desenvolvam seus projetos nessa incubadora do mundo real.

Só para você ter uma ideia, as casas já “sairão de fábrica” com sensores de inteligência artificial que facilitarão atividades do dia a dia como fazer compras ou retirar o lixo quando cheio. No vídeo do anúncio do projeto que você pode conferir abaixo, é possível ver até mesmo um robô cozinhando para a família! Cidades mais inteligentes, é essa a bandeira que eu sempre levantei!

Enquanto a parte “visível” foi planejada para trazer comodidade, conforto e praticidade aos moradores, no subsolo do emaranhado de ruas é onde tudo que deixa a cidade “viva” deverá acontecer. Longe dos olhos de quem passa pelo município serão instaladas unidades de armazenamento de energia e uma rede completa de entrega. Lembra que citei acima que será mais fácil fazer compras? Pois então, um robô fará o pedido do que falta na sua geladeira e tudo será entregue no seu apartamento pelo subsolo.

É claro que a Toyota não iria deixar de pensar em algo para a locomoção também. Atualmente, quando pensamos em uma via, temos basicamente a rua e a calçada. O modelo da Woven City será diferente: uma área para veículos de alta velocidade, como carros e ônibus, uma via para pedestres e veículos individuais de locomoção de baixa velocidade e uma terceira somente para pedestres que será cercada por plantas e árvores. Dessa forma, você escolherá o ritmo a seguir. Além disso, as ruas principais contarão apenas com veículos autônomos que não emitam carbono, ideia essa liderada pelos Toyota e-Palletes.

Planejada para ser totalmente sustentável, em uma combinação de construções típicas japonesas e métodos de produção robotizados, os edifícios serão feitos principalmente de madeira tradicional do país, o que colaborará com a redução da pegada ecológica.

Parece uma boa ideia, não? Já estou ansioso para visitar o projeto no ano que vem e tenho certeza de que a Woven City com o Monte Fuji ao fundo será mais do que apenas uma paisagem incrível para se ter em um porta-retratos.

O que você acha? A cultura japonesa colaborará para que este projeto seja entregue em um ano? Deixe os seus comentários abaixo.

Até a próxima semana…

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Como o interesse por robôs impulsiona a igualdade de gênero na tecnologia? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/12/17/a-igualdade-de-genero-esta-chegando-tambem-no-fechado-mundo-da-tecnologia/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/12/17/a-igualdade-de-genero-esta-chegando-tambem-no-fechado-mundo-da-tecnologia/#respond Tue, 17 Dec 2019 07:00:32 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=842

Divulgação

Já faz algum tempo que venho discutindo nos meus textos a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela cúpula das Nações Unidas, em 2015, que devem orientar as políticas nacionais e atividades de cooperação internacional ao longo da próxima década.

 Os 17 ODSs englobam 169 metas divididas em diversos temas, como erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, água e saneamento, energia, crescimento econômico sustentável, infraestrutura, redução das desigualdades, cidades sustentáveis, padrões sustentáveis de produção e consumo, mudanças climáticas, uso sustentável dos oceanos e ecossistemas terrestres.

Ao longo dos últimos anos, notei o crescimento da conscientização em relação ao objetivo número cinco, cuja meta é alcançar a igualdade entre os gêneros e empoderar todas as mulheres e meninas. A igualdade entre homens e mulheres pode até soar para muitos como uma coisa normal, mas, acreditem, ainda temos muito caminho a percorrer pela frente.

Os objetivos das Nações Unidas devem ser uma causa de todos: governos, empresas privadas e sociedade precisam unir forças para alcançá-los. Eu acredito que estamos no caminho certo, afinal, áreas como engenharia e tecnologia da informação, antigamente compostas por uma maioria masculina, deverão, em um futuro não tão distante, ter um quadro muito mais equilibrado com um aumento significativo de mulheres. Ações que buscam incentivar a robótica entre crianças e adolescentes têm surtido efeito positivo no aprendizado e despertado o interesse de meninos e meninas pelo assunto.

Para se ter uma ideia, mais de cinco mil estudantes de todo o Brasil estão inscritos para participar dos torneios regionais de robótica promovidos pelo SESI, que é o operador oficial da First Lego League no país desde 2013. Desse total, 43% dos estudantes (aproximadamente 2200) são meninas, um dos maiores índices da competição. Os profissionais do SESI responsáveis pela edição no Brasil comemoram o resultado.  “Em 2018, 41% dos inscritos eram meninas. O crescimento neste ano mostra que estamos no caminho certo e que nossa abordagem para divulgar a robótica tem alcançado também o público feminino, deixando-o super a vontade para se engajar com a tecnologia”, diz o diretor de operações do SESI nacional, Paulo Mol.

De uma forma geral, nota-se um crescimento significativo da presença feminina na área da ciência, que é a base da inovação. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e o relatório “Elsevier Gender in The Global Research Landscape” (Gênero no cenário da pesquisa global, em tradução livre) de 2017, as mulheres respondem por 40% dos pesquisadores em nove das 12 regiões geográficas analisadas que incluem, entre elas, a União Europeia (28 países do bloco), Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil.  Se analisado somente o Brasil, curiosamente a relação de gênero, em número de pesquisadores, está quase equilibrada: 49% dos autores de pesquisas e artigos científicos são mulheres. No período de 2011 a 2015, a participação de mulheres cresceu 11% no país, índice semelhante ao da Dinamarca.

Apesar do número positivo, estamos somente no início desta mudança e precisamos continuar promovendo a causa. Me recordo que o CEO de uma empresa francesa cancelou sua participação no evento “London Tech Week” por não haver participação feminina em determinado painel.  O mais bacana é que, segundo ele, uma norma da empresa o impede de participar como representante da companhia em ambientes que não promovem a igualdade de gênero.

Quando analisados como um todo, os ODSs são um chamado universal para ações contra a pobreza, proteção do planeta, paz, prosperidade e principalmente igualdade. Eles estão sendo amplamente impulsionados pelos projetos de smart cities, uma vez que uma cidade mais inteligente tem como principal missão a melhoria da qualidade de vida de sua população. Você concorda?

 Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

 

 

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Iniciativas em educação que ajudam a criar um Brasil melhor http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/12/10/iniciativas-em-educacao-que-ajudam-a-criar-um-brasil-melhor/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/12/10/iniciativas-em-educacao-que-ajudam-a-criar-um-brasil-melhor/#respond Tue, 10 Dec 2019 07:00:09 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=829

Container do projeto Educasol em Volta Redonda – RJ que será utilizado como ponto de coleta e espaço para oficinas e atividades educativas e culturais. Imagem: Educasol

Finalmente, o final do ano está chegando. É um momento de reflexão para muitos, quando fazemos os “cálculos” e nos damos conta do resultado positivo ou negativo dos meses que se passaram. Posso garantir para vocês que este ano, pelo menos para mim, foi de muito trabalho, mas também de muita satisfação. Estou ainda mais convencido de que estamos no caminho certo!

Na última semana, viajei metade do país para lançar regionalmente o projeto de robótica City Shaper – Cidades Inteligentes, do SESI. Em 10 dias, passei por Brasília, Goiânia, Natal, Belo Horizonte, Manaus, Recife e Salvador para falar com jovens de nove a 16 anos sobre o futuro das nossas cidades. Fiquei impressionado como essa galerinha está antenada e como eles têm uma visão sistêmica do mundo em que vivem. Acreditem: educação é a melhor saída para criarmos um futuro melhor.

Em um mundo cada vez mais globalizado e impulsionado pelo consumo excessivo, a sociedade tem seguido (até agora) um modelo mercadológico onde o “ter” é mais valorizado que o “ser”, mas tenho visto que isso está mudando. O consumo e práticas conscientes, que não faziam parte da propaganda e mídias em geral, começam a despontar nas atividades de responsabilidade social das empresas e os conceitos da Economia Circular começam a florescer.

Nessa nova economia, – que tenho falado bastante nos últimos anos, inclusive com alguns textos aqui no nosso blog, como o case da cidade japonesa de Kamikatsu – a ideia básica é repensar o ciclo de vida e a sustentabilidade de produtos além da reciclagem. Fico muito feliz em ver que isso está acontecendo também no Brasil; precisamos repensar com urgência nossas práticas e oferecer um estímulo à mudança de hábitos que contribua para uma vida mais sustentável.

Há quase um ano, conheci minha conterrânea Marinez Rodrigues, idealizadora do projeto Educasol. A iniciativa liderada por ela foca em práticas solidárias que têm o compromisso de criar um impacto social positivo na comunidade educacional ao reutilizar materiais escolares em bom estado e enviar para a reciclagem o que não pode ser reaproveitado. Enquanto produtos bons são higienizados e doados para estudantes de famílias carentes, instrumentos de escrita em mau estado, por exemplo, são transformados em filamentos para impressão 3D. É economia circular na veia!

Com pontos de coletas espalhados pela cidade, o Educasol facilita o envolvimento da comunidade nas práticas sustentáveis e estimula uma nova visão para a sociedade onde vivem. Neste ano, em parceria com a prefeitura de Volta Redonda, o projeto passou a contar com um container na praça Sávio Gama, que será utilizado como ponto de coleta e espaço para oficinas e atividades educativas e culturais.

Além de utilizar recursos que muitas vezes ficam esquecidos ou são descartados de forma incorreta, o projeto também promove a Agenda 2030, proposta pela ONU através dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Lembra que já discutimos sobre os ODS? Em 2015, representantes de 193 países se reuniram para discutir e estabelecer medidas ousadas e transformadoras para promover o desenvolvimento sustentável nos próximos 15 anos. Espero poder ver mais iniciativas como essa pelo Brasil!

Um grande abraço e até a próxima semana.

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Cidade ideal do futuro é uma grande mistura de floresta com inteligência http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/12/03/cidade-floresta-propoe-integrar-comodidades-da-metropole-e-vida-na-selva/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/12/03/cidade-floresta-propoe-integrar-comodidades-da-metropole-e-vida-na-selva/#respond Tue, 03 Dec 2019 07:00:57 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=819

The Forestias, uma floresta no coração de uma metrópole (Divulgação)

Já faz algum tempo, não muito, que começamos a ouvir falar sobre smart cities fora do eixo Europa-Estados Unidos. Projetos bem bacanas têm sido desenvolvidos no Oriente Médio e já temos um número expressivo de referências vindas da parte rica da Ásia. Em 2018, tive o primeiro contato com o projeto The Forestias, da Tailândia. De forma bem simples e objetiva:  os idealizadores do projeto querem fazer a primeira cidade inteligente do mundo com uma verdadeira floresta dentro. É como se São Paulo abrigasse uma floresta tropical com jacarés do papo amarelo, lobos-guarás, jararacas e jaguatiricas onde hoje é o Parque do Ibirapuera.

Cético e desconfiado como sou, minha primeira impressão foi a de que era um projeto de desmatamento de uma floresta para construir uma cidade, deixando um pouquinho de “mato” no meio e com uma bela embalagem de smart city para amolecer corações naturalistas e conquistar mentes progressistas, ainda mais porque tinha uma grande empresa do setor da construção civil por trás de tudo. Não seria a primeira vez, certo? Estamos cheios de “boas intenções” no setor. Mas eu estava completamente errado. Que bom!

No mês passado, eu tive o imenso prazer de reencontrar o professor Singh Intrachooto, reitor do Centro de Pesquisa e Inovação para a Sustentabilidade (RISC) e chefe do Centro Criativo de Eco-design da Kasetsart University, em Barcelona, durante o Smart City World Expo 2020. Ele não era somente um dos palestrantes no evento, mas também o cicerone do estande Smart Tailândia, que tinha como destaque o projeto The Forestias. Grata satisfação em ver o quanto eles avançaram a ideia e quão real e factível o projeto é.

Localizado em uma área de 119 acres em Bangna, na periferia de Bancoc, na Tailândia, vizinho ao aeroporto da cidade, o distrito inteligente será baseado no estilo de vida multi-geracional, de uso misto e non-human-centrict (não focado nos seres humanos, em tradução literal). Parece complicado, mas não é: ele incorpora a ideia de recursos de sustentabilidade e comodidade para melhorar a vida dos cidadãos.

Com inauguração prevista para 2022, o projeto do distrito compreende hotéis, condomínios, escritórios, residências de luxo, comunidades de idosos, centros médicos, uma área de moradias populares e uma zona comercial. Contará ainda com um laboratório de inovação e um centro de aprendizado. A incorporadora local responsável pelo projeto, MQDC, deve investir cerca de US$ 3 bilhões no ambicioso plano que, sem dúvida, tem como ponto forte, a criação, ou reprodução, de um ecossistema florestal em uma área metropolitana que ocupará 40% da área total.

À frente de todo o projeto está a RISC, do nosso protagonista Singh, que observou e estudou o ecossistema dentro e ao redor do local, identificando mais de 38 tipos de árvores e plantas e 123 espécies animais que criam um ambiente natural e ecologicamente equilibrado. Divididas em quatro níveis (Floresta Profunda, Floresta Residente, Centro Florestal e Pavilhão Florestal), as florestas já começaram a ser criadas com o plantio de árvores e a fauna deverá ser introduzida gradualmente, conforme a flora se desenvolve, e estima-se que o nível de floresta profunda seja alcançado em 20 anos.

Tendo o uso de resíduos plásticos e a recuperação de materiais como base para toda a construção, mais de 160 toneladas de plásticos retirados do mar devem ser utilizadas para construir cinco quilômetros de trilhas e outros elementos paisagísticos e de decoração. O objetivo é ser um protótipo para arquitetura verde e urbanismo no país e, certamente, será uma referência para o mundo.

Outra iniciativa bem bacana é a construção de uma usina de resfriamento de água que evitará a emissão do hidrofluorocarbono – gerado principalmente pelo uso de ar-condicionado nas cidades – ao utilizar um sistema de refrigeração de água que percorrerá todos os edifícios. Além de ser ecologicamente correto por não produzir poluentes e minimizar o efeito estufa, o sistema ajudará, também, na redução de custos.

Se enganam aqueles que pensam que o projeto se trata apenas de meio ambiente e sustentabilidade. A integração entre gerações diferentes (Alpha, Z, Y e X) e  membros de uma família também é um dos pilares dessa monumental obra. A ideia é que enquanto os avós brincam com os netos e se familiarizam com as novas tecnologias, a nova geração aprenda sobre o passado.

Parece ser simples, mas não é. Além da preocupação normal com espaços seguros para crianças, por exemplo, todos os materiais de construção devem atender a padrões de segurança e os locais também devem ser acessíveis a idosos. Assim, o projeto necessitará de diversas certificações como a Certificação Liderança em Energia e Design Ambiental (LEED) e WELL NORM, do Green Building Council, Certificação de Padrão de Bem-estar, do International Well Building Institute, e um certificado de classificação em sustentabilidade ambiental e energética.

Embora seja um plano bem trabalhoso, a The Forestias parece ir além de uma simples autodenominação de smart city e não vejo a hora de conhecê-la pessoalmente, o que deve ocorrer no primeiro semestre do próximo ano. Fique ligado, pois vou levar todos vocês para conhecer de perto essa primeira “smart forest-city ;). Não vejo a hora.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

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Sabe qual é a cidade mais inteligente do mundo deste ano? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/26/voce-sabe-qual-e-a-cidade-mais-inteligente-do-mundo-deste-ano/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/26/voce-sabe-qual-e-a-cidade-mais-inteligente-do-mundo-deste-ano/#respond Tue, 26 Nov 2019 07:00:05 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=804

A capital da Suécia fica no topo do ranking das cidades inteligentes em 2019 (Tommy Takacs/ Pixabay)

Barcelona recebeu o mais importante e concorrido evento do mundo das cidades inteligentes na semana passada, o Smart City World Expo 2019, que discutiu o futuro dos nossos municípios.

Todos os anos, a cerimônia que premia, em diversas categorias, os melhores projetos de cidades, empresas e universidades é um dos maiores atrativos e, pelo menos aqui, o Brasil se destacou. Na premiação de projetos relacionados ao ambiente urbano, São Paulo chegou à final com o “Plataforma Verde”, da CTR-E, uma iniciativa público-privada para gerenciar o lixo da cidade. O município concorreu com a francesa Begles e a americana Madison, que levou o troféu.

A segunda categoria que concorremos foi a de projetos relacionados às cidades mais inclusivas e compartilhadas. Aqui, comparecemos com Belo Horizonte, representada por Leandro Moreira Garcia, presidente da empresa municipal de processamento de dados Prodabel. Lembra que fizemos uma visita a eles no ano passado e vimos diversos projetos bacanas? A capital mineira disputou com outros dois projetos: o superprograma de integração social do Bairro 31, do governo municipal de Buenos Aires, e o projeto de orçamento participativo de Kiev, a gelada capital da Ucrânia. Desta vez, nossos hermanos levaram a melhor.

A última categoria que concorremos foi a mais esperada da noite: a de Cidade Inteligente 2019. Junto com a nossa querida Curitiba, que, como tenho enfatizado há anos, tem Smart City no seu DNA, Montevidéu também marcou presença entre as finalistas que incluía, ainda, Bristol, na Inglaterra, e Estocolmo, na Suécia. Completaram o páreo, a fortíssima capital coreana de tecnologia e inovação, Seul, e a vibrante, controversa e temporariamente desconectada capital do Irã, Teerã, para onde devo embarcar em dezembro para ministrar uma palestra, que chegou à final com o projeto Smart Tehran.

Não preciso nem dizer que, este ano, a torcida por Curitiba estava grande; éramos, sem dúvida, os mais animados da plateia. Contudo, toda a energia positiva não foi suficiente para garantir a estatueta e o “Oscar” da cidade inteligente foi para o extremo norte, quase nas terras do Papai Noel, Estocolmo.

Tirando a minha frustração nacionalista que, sem dúvida, é muito mais sentimental que racional, eu fiquei feliz com o resultado. Primeiro, porque o fato de ter uma cidade brasileira entre as finalistas da categoria principal já é, por si só, uma grande vitória. Além disso, o prêmio para Estocolmo reitera fortemente a minha teoria de que não somos nós que estamos fazendo cidades mais inteligentes, mas sim a sociedade que está evoluindo para um novo modelo de convivência social e os países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega) são os melhores exemplos da minha teoria. Grattis (parabéns em sueco) aos holmienses! Esse é literalmente o resultado do trabalho não de uma pessoa, empresa ou cidade, mas sim o avanço de uma sociedade.

Curitiba foi a representante brasileira na categoria de Cidade Inteligente 2019 (Maria do Carmo Duarte Freitas/ Pixabay)

Embora não seja oficial, acredito que os critérios para a escolha da cidade do ano vão além da simples análise de números e índices e inclui, também, seguir uma lógica geopolítica, levando em consideração o contexto regional onde a cidade está inserida e a evolução dos projetos relacionados a melhoria da qualidade de vida.

Assim, em 2016, a estatueta foi para Nova York. Já em 2017, o inusitado primeiro lugar de Dubai deu uma visibilidade global para a cidade. Em 2018, Cingapura levou a melhor e, para mim, ela continua na lista das top três cidades mais inteligentes do mundo.

A cidade de La Paz, capital da Bolívia, também marcou presença este ano ao levar o prêmio de mobilidade com o seu projeto de teleférico urbano. O modelo que utiliza o teleférico como transporte público em cidades com relevo irregular, principalmente em cidades com grandes diferenças sociais, não é novidade. Na América Latina, a cidade de Medellín, na Colômbia, foi a pioneira, seguida pelo nosso milionário, sucateado e abandonado projeto do teleférico do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Pelo que fiquei sabendo, o sistema deverá ser implantado novamente no país, mas agora na cidade de Juazeiro do Norte. Esse modelo é uma forma eficiente de “unir o morro ao asfalto”, como dizemos por aí.

Embora toda cidade que leva realmente a sério seus projetos de Smart City não devesse estar preocupada em ganhar prêmios, mas sim em atingir seu objetivo principal de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, isso faz parte da natureza humana e um reconhecimento internacional como esse pode ajudar muito na atração de investimentos.

Como 2020 já está batendo em nossas portas, não podemos perder tempo! Seguindo uma lógica geopolítica, depois da América do Norte, Oriente Médio, Ásia e Europa, temos grandes chances que o grande prêmio da Smart City World Expo 2020 saia para uma cidade latino-americana. Já coloquem na agenda de vocês!

Tendo participado da feira pela quarta vez, sou testemunha de como ela tem crescido e, neste ano, atraiu 1.010 expositores, 400 palestrantes, 700 cidades, 146 países e mais de 24.300 visitantes. Paralelo à exposição, cinco palcos abrigaram diversas palestras. É um ambiente super rico para networking.

No evento, organizado pela Fira Barcelona,, é evidente o aumento no número de representantes de cidades e regiões. A China, por exemplo, estava representada em quatro grandes pavilhões. Itália, França, Holanda, Espanha, Bélgica, Estônia, Luxemburgo, Estados Unidos, Canadá e os países nórdicos também cravaram suas bandeiras este ano em Barcelona. Já as cidades de Tel Aviv, Cingapura, Seul, Bristol, Moscou e a anfitriã Barcelona também estavam ali para mostrar porque são cidades inteligentes e bons lugares para se investir.  Nossa modesta e tímida América do Sul estava representada somente pelos estandes do Chile e de Montevidéu.

Não se esqueça que em março teremos o Smart City Expo Curitiba 2020, a versão latino-americana oficial do evento, organizada pela Fira Barcelona em conjunto com o iCITIES. Será uma excelente oportunidade para nossas cidades aquecerem os motores e afiarem o pitch para o mundial de Barcelona.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

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Blogueiros defendem papel maior do cidadão nas cidades inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/blogueiros-defendem-papel-maior-do-cidadao-nas-cidades-inteligentes/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/blogueiros-defendem-papel-maior-do-cidadao-nas-cidades-inteligentes/#respond Sat, 16 Nov 2019 13:00:37 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=796

Para mim, o conceito de cidade inteligente está baseado em cinco pilares. Foi no passado, e é cada vez mais, tecnologia. Os projetos que mais dão certo estão voltados para o cidadão, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida. Tudo isso tem que estar embalado no conceito das novas economias e tem que trazer resiliência para as cidades e para os cidadãos. Para o sucesso de uma cidade inteligente, hoje, é fundamental a participação do cidadão.

Discutimos um pouco sobre essa e outras ideias de cidades inteligentes no Welcome Tomorrow 2019. O evento, entre os dias 6 e 10 de novembro, no Expo São Paulo, já prometia bastante, mas acabou superando todas as expectativas. Mais de 22 mil visitantes passaram por lá durante os cinco dias para assistir aos 500 palestrantes.

E claro que o Tilt não poderia ficar fora deste evento! No dia 9, realizamos um painel com mais dois colegas do canal: a Cristina de Lucca, do Blog Porta 23 e o Felipe Zmoginski, do blog Copy From China. O painel foi moderado por Fabiana Uchinaka, editora do Tilt.

 

Defendi a importância de tentarmos buscar soluções para nossas cidades para uma convivência mais resiliente e sustentável e, como consequência, para uma vida mais inteligente. Aliás, nem gosto muito do termo “cidade inteligente”, já que não existe uma cidade burra.

Para Cristina de Lucca, a tecnologia precisa estar na mão da população. “O gestor tem que fazer o diagnóstico da cidade e entender os problemas que são desafio da população. O gestor tem que ter ouvido para a população. O que a tecnologia pode fazer é ajudar e baratear esse processo”, disse.

Outra discussão importante do painel foi sobre o papel do Estado. Em países com menos liberdade e com muito dinheiro, como é o caso da China, projetos de cidades inteligentes conseguem avançar muito mais facilmente do que no Brasil, por exemplo.

Felipe Zmoginski contou que, no sul da China, por exemplo, durante um surto de dengue, o governo liberou o uso de drones para mapear e identificar as casas que descuidavam da prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, o transmissor da doença. Sem a devida regulação, algo do mesmo tipo seria impensável no Brasil.

Ele também contou que dois fatores fazem com que a China esteja na vanguarda das cidades inteligentes. O primeiro é o dinheiro. O país soube mudar o foco das exportações para o investimento. E o segundo é o que Zmoginski chamou de “regulação com visão de futuro.” Até 2025, 70% das exportações serão de produtos de alto valor agregado. E até 2030, a China quer ser líder em inteligência artificial.

“Na China, há pressão para liberalizar novas soluções independente das regulações”, contou. Segundo ele, uma vez que a liderança decidiu algo, “todos caminham para esse lado”.

Além da falta de dinheiro e de dificuldades de regulação, o Brasil também sofre com a falta de vontade do poder público em disponibilizar dados. Durante um congresso que estive em Barcelona, vi que os brasileiros reclamaram que no nosso país há um problema de demora na alimentação do sistema por parte do governo. Os dados públicos demoram muito a aparecer.

“Em Barcelona, não há dois bancos de dados. Os dados são colocados no sistema que é o mesmo que a população tem acesso”, contou.

Para Cristina de Lucca, falta criatividade no Brasil. Além disso, falta vontade, por parte do poder público, de receber informação coletada pela população e agir com ela. Lucca deu o exemplo da dengue. Com smartphones, o brasileiro poderia coletar informações no bairro sobre prevenção e repassar isso para as prefeituras. No entanto, os municípios não saberiam o que fazer com esses dados.

“Falta uma cultura de trabalhar dados públicos no Brasil. Os municípios são desestruturados do ponto de vista do uso do dado público”, afirmou.

***

O Welcome Topmorrow foi uma oportunidade especial para rever os colegas que estão fazendo a diferença neste mundo de inovação no Brasil e no mundo. Na manhã do dia 6, dividi o palco com Murilo Gun, um dos novos gurus de inovação da atualidade, e com o idealizador do evento, meu amigo visionário Flávio Tavares.

Também tive a oportunidade de conhecer ou reencontrar pessoas como o anjo investidor das 1.000 startups, João Kepler, que ministrou palestras em várias arenas, e trouxe consigo seu filho Davizinho; moderei um painel bacana para discutir o papel da tecnologia nas relações familiares, com a jornalista Maria Candida, sua mãe Mirian e sua filha Laia.

Esperamos que vocês gostem. Essa é uma oportunidade única para vocês deixarem seus comentários e interagirem com três bloggers ao mesmo tempo. Aproveitem! Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

* Colaborou Thiago Varella

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LIVRO – A Cidade Startup: a nova era de cidades mais inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/livro-a-cidade-startup-a-nova-era-de-cidades-mais-inteligentes/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/livro-a-cidade-startup-a-nova-era-de-cidades-mais-inteligentes/#respond Tue, 05 Nov 2019 07:00:05 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=789

O livro será lançado no dia 6 de novembro, durante o Welcome Tomorrow 2019, em São Paulo.

Esta semana será muito especial para mim, afinal, tenho esperado por ela o ano todo e aqui estamos! Amanhã, durante o Welcome Tomorrow 2019, lançarei meu primeiro livro no Brasil, “A Cidade Startup: A nova era de cidades mais inteligentes”, que reúne os melhores textos do meu blog aqui no Tilt; uma jornada de quase um ano e meio que percorremos juntos discutindo os melhores casos de implementação de novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades.

Com menções de mais de 90 municípios em cinco continentes, entre eles Tóquio, Nova Iorque, São Paulo, Melbourne, Johannesburgo, Bastia di Rovolon e Nova Deli, o livro retrata a agenda frenética de viagens que fiz ao longo dos últimos anos. Trinta e oito países visitados desde 2016 e mais de 370 voos me ajudaram a desenhar a fotografia do que está acontecendo no cenário global das chamadas cidades inteligentes, afinal, acredito que toda essa transformação virá para o bem da sociedade.

 Para perceber o potencial existente, basta olhar as possibilidades das Smart Cities e notar que estamos no início de um processo que pode criar novas formas de interação humana. Na verdade, eu não gosto da expressão “cidades inteligentes”, que é a tradução literal de Smart Cities, porque ela dá́ a entender que existem “cidades burras”. Acredito que cada cidade é um processo desenvolvido a partir da interação entre as pessoas, o que possibilita criar identidades próprias e soluções para os problemas de cada comunidade. Por isso, acredito em Cidades MAIS Inteligentes.

Nos anos 80, Raul Seixas cantava que preferia ser “essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobretudo. Quanto mais aceleramos no mundo da transformação digital e na Revolução 4.0, mais esses versos se tornam reais. A verdade é que as mudanças estão acontecendo a um ritmo cada vez mais acelerado e a única certeza que temos é que precisamos estar em movimento constante.

O livro tem um capítulo especial voltado às novas tecnologias disruptivas, enfatizando as transformações que estão acontecendo em vários setores. Imóveis, saúde, conectividade e alimentação são alguns exemplos de uma mudança generalizada na economia, na sociedade, nos negócios e nas relações humanas que discutimos. O homem conectado passa a esperar outro nível de excelência e de velocidade dos produtos, serviços e marcas com que se relaciona. Avanços tecnológicos mudam as regras do jogo constantemente e trazem evoluções e revoluções em uma intensidade que nunca antes tínhamos conhecido. Ficou curioso? O conteúdo não para por aí.

Pensar em Cidades Mais Inteligentes é pensar no ser humano como um todo. O que é “ser feliz” em um mundo altamente tecnológico? Como se darão as relações humanas nas grandes metrópoles mundiais? Como integrar pessoas de culturas totalmente diferentes? Essas são questões que precisam estar na cabeça de quem formula políticas públicas e de todos que fazem parte do ecossistema global das Smart Cities.

 O livro é baseado em um conceito que venho desenvolvimento desde 2016 chamado “City Smartup: a conexão das cidades inteligentes com o novo mindset na gestão das startups”. Entendo que esse seja um caminho eficiente para o desenvolvimento de soluções que melhoram a vida dos cidadãos e fazem com que o espaço público seja percebido pelas pessoas como um lugar realmente de todos.

Acredito que sejamos uma nova classe mundial de pessoas, somos City Makers e City Shapers! Ao longo das minhas experiências pelo mundo, aprendi que cidades inteligentes na verdade são lugares mágicos onde tudo parece conspirar para fazer nossa vida melhor.

No início de cada um dos textos, mostramos como eles dialogam com os ODSs e deixamos claro que o desenvolvimento de Smart Cities é, também, uma forma de contribuir com as metas das Nações Unidas para a criação de uma sociedade mais justa, equilibrada e sustentável.

 Cada um dos 229.435 caracteres do livro contam com toda minha paixão e entusiasmo pelo tema. Espero, sinceramente, que gostem e que você compareçam amanhã, dia 6 de novembro de 2019, na abertura do evento Welcome Tomorrow 2019, em São Paulo, para compartilhar comigo esse momento especial. Aproveito, também, para convidá-los para um super painel que faremos com outros colegas bloggers do Tilt dia 9 de novembro, às 17h35, na Arena Ride, sempre no Welcome Tomorrow. Imperdível!

Nos vemos então daqui a pouco ;).

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Que tal uma carreira no milionário setor de iGaming? Venha para Malta! http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/29/que-tal-uma-carreira-no-milionario-setor-de-igaming-venha-para-malta/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/29/que-tal-uma-carreira-no-milionario-setor-de-igaming-venha-para-malta/#respond Tue, 29 Oct 2019 07:00:15 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=780

O setor de iGaming (apostas online) já representa 12% da economia maltesa, gerando 700 milhões de euros e empregando nove mil pessoas. Foto: worldfinance

Hoje, vamos falar de um país muito pouco conhecido pelos brasileiros: Malta. Localizado em uma posição estratégica no extremo Sul da Europa, a 93 km da Sicília, Itália, e a 288 km da Tunísia, no norte da África, sua posição estratégica fez com ele sempre fosse palco de grandes disputas internacionais. Habitado desde 5.200 A.C., passaram pela ilha os fenícios, romanos, árabes, mouros, normandos, espanhóis, Cavaleiros de São João, franceses e, por último, os britânicos, que governaram a ilha até sua independência, em 1964. 

Ao longo dos últimos 10 anos, durante a grande crise europeia, o país tem atraído muitos imigrantes não só europeus, mas também asiáticos e, principalmente, pessoas de países africanos de línguas árabes. Com somente 316 quilômetros quadrados, menos da metade de Florianópolis, que tem 675 km2, Malta tem uma densidade populacional de 1.300 pessoas por quilômetro quadrado, de longe a maior da Europa.

Como em todo o processo de crescimento populacional, o país precisa planejar a construção de novas unidades habitacionais, repensar a infraestrutura de transporte e redimensionar todo o setor de segurança pública. Para os próximos anos, espera-se que o crescimento da população persista em meio a uma economia em crescimento, principalmente nos setores relacionados à tecnologia, o que exigirá mais trabalhadores estrangeiros, porém especializados. O país está migrando de uma economia voltada ao turismo à um forte ecossistema de economia digital.

Semana passada, tive a honra de participar de um grande evento organizado pela Associação Nacional de Conselheiros, o que seria similar aos vereadores no Brasil. Para começar a transformação da ilha em uma Smart Island (ilha inteligente), eles estão desenvolvendo políticas públicas baseadas em quatro pilares: mobilidade sustentável, ambientes verdes, espaços abertos e, claro, Smart Cities. A estratégia é bem parecida com algumas que já discutimos em outros textos, mas com a grande vantagem da implementação ser em um espaço geográfico reduzido, ter como idiomas o inglês e, principalmente, uma economia pulsante e já orientada ao digital.

Entre as estrelas deste boom da nova economia maltesa, os setores milionários de IGaming (apostas online) e de blockchain vêm ganhando destaque nos últimos anos. Atualmente, o setor de apostas online já representa 12% da economia maltesa, gerando 700 milhões de euros e empregando nove mil pessoas. Mais de 330 empresas de apostas, incluindo os gigantes Betsson, Tipico e Betfair, têm sua sede fiscal no país, o que colabora para que a nação seja conhecida como a capital europeia dos iGaming (jogos eletrônicos online).

Há uma expectativa para que Malta se torne o Vale do Silício da indústria do iGmaing, contudo, o país precisa promover incentivos corretos e criar a estrutura reguladora para continuar atraindo investimentos e empresas do setor. O governo nacional já está trabalhado fortemente para isso: além da regulamentação oficial que está sendo aprimorada e dos grandes incentivos à abertura de startups, o país também conta com o apoio de instituições de ensino superior de renome internacional. A Universidade de Malta, por exemplo, já oferece cursos de graduação e pós-graduação específicos para novas tecnologias como inteligência artificial. O melhor: tudo gratuito.

Malta, que sempre se orgulhou de ser um destino turístico da Europa, agora se prepara para ser um dos centros mais confiáveis e dinâmicos ​do setor de apostas online. Olha aí uma grande chance para vocês! Seja você um programador experiente, um “startuper”/ investidor ávido por novos desafios ou um entusiasta de tecnologia em busca de uma boa formação e novos desafios, você certamente encontrará oportunidades em Malta.  Boa sorte!

Nos vemos na próxima semana.

 

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O futuro está no Vale do Silício? Talvez você esteja errado http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/22/o-futuro-esta-no-vale-do-silicio-dos-eua-talvez-voce-esteja-errado/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/22/o-futuro-esta-no-vale-do-silicio-dos-eua-talvez-voce-esteja-errado/#respond Tue, 22 Oct 2019 06:00:37 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=768

A ponte HZM (Hong Kong – Zhuhai – Macau) é a mais extensa do mundo, com 55 km, e foi inaugurada ano passado como estratégia de desenvolvimento da GBA. Foto: TeleTrader

Não sei se você sabia, mas eu morei na China por mais de seis anos. De 2006 até o final de 2013, eu tive o privilégio de acompanhar de perto o ressurgimento do dragão adormecido. A verdadeira disrupção econômica chinesa é a velocidade de crescimento: o país, que até a década de 70 exportava menos de 2% do seu PIB, se transformou em um dos líderes mundiais de desenvolvimento de novas tecnologias.

Inovação é exatamente o foco do governo central de Pequim ao criar uma nova região econômica no sul do país, a Greather Bay Area (GBA). O projeto consiste em interligar as principais cidades às margens do Rio das Pérolas, como Guangzhou e Shenzhen, às duas regiões de regime administrativo especial: Hong Kong, ex-colônia Inglesa, e Macau, que até 1999 foi administrada por Portugal. 

Para vocês terem ideia do que isso significa do ponto de vista econômico, a GBA possui um PIB anual de 1.8 trilhões de dólares, mais ou menos a metade do PIB brasileiro. Sua área de um pouco mais de 1% do território chinês representa 12% do PIB nacional e abriga 70 milhões de pessoas, população maior que a do Reino Unido e duas vezes a do Canada.

Não se convenceu? Então vai mais uma: o frete aéreo de produtos nessa região é maior que se somarmos os de Nova Iorque, São Francisco e Tóquio! Se não bastasse isso, três dos dez mais importantes portos de contêineres no mundo estão localizados lá. Não é à toa que essa área está sendo chamada de o Vale do Silício da China e que eu tinha que ir conferir o que está acontecendo neste país que me acolheu tão bem e que um dia chamei de lar.

Entre vários projetos que visitei por minha passagem por Hong Kong, Shenzhen e Guangzhou, o que mais me impressionou foi a cidade inteligente da gigante Cisco, que está sendo construída em uma área de 3,5 quilômetros quadrados ao lado do distrito universitário de Panyu.  

Como todo projeto “greenfield”, a cidade da Cisco já nasceu ambiciosa: serão investidos mais de três bilhões de dólares na construção de toda a infraestrutura. Com as obras iniciadas em 2016 e previsão de conclusão até 2026, a primeira das três fases do projeto, que conta com investimentos em pesquisas de diversos conglomerados globais, já deve ser inaugurada ano que vem. Inteligência artificial, internet das coisas, veículos autônomos, drones para entrega de mercadoria e transporte de pessoas são algumas das tecnologias que estarão disponíveis para seus mais de 200 mil habitantes no futuro.

Em conversa com um dos gestores do projeto na Cisco, Andy Lin, ele ressaltou duas das principais vantagens competitivas da nova cidade: o compromisso do governo local em flexibilizar a legislação para o teste de tecnologias disruptivas, seguindo o modelo criado no Vale do Silício pelo governo da Califórnia, e a proximidade da cidade universitária que abriga 11 instituições de tecnologia, sendo que três delas estão entre as melhores do país e, juntas, têm mais de 16 mil alunos. Ao longo dos últimos anos, os centros acadêmicos já “exportaram” mais de 40 mil talentos para o mundo e um dos objetivos do projeto é exatamente reter esses profissionais na China.

A corrida pela liderança mundial no campo da tecnologia só está começando e, diferente do que muitos pensam, a China está sim no páreo e, aparentemente, muito mais à frente que tradicionais competidores, como Rússia, Japão e Alemanha. Só o futuro nos dirá quem vai vencer essa competição, mas só o fato de não haver uma superioridade unilateral já me parece bastante salutar. Que venha então o Vale Chinês.

Grande abraço e até a próxima semana.

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As vaquinhas virtuais evoluíram e já permitem a compra de imóveis http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/08/crowdfunding-vaquinha-virtual-evoluiu-e-ja-permite-compra-de-imoveis/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/10/08/crowdfunding-vaquinha-virtual-evoluiu-e-ja-permite-compra-de-imoveis/#respond Tue, 08 Oct 2019 07:00:51 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=757

Criada em 2017, a Smartcrowd está sediada na Hive, uma prestigiada aceleradora de fintechs em Dubai. Foto: Smartcrowd.

Com o crescimento do conceito de economia compartilhada, os chamados financiamentos coletivos, crowdfunding em inglês, se popularizaram mundo afora. A ideia é bem simples: plataformas online onde pessoas “normais” têm a possibilidade de financiar projetos, contribuindo com pequenos valores. 

No Brasil, já existem diversas iniciativas do tipo, como a Benfeitoria.com.br, um sistema de engajamento coletivo para projetos transformadores, e a  Catarse.me, a primeira plataforma nacional criada para financiar projetos criativos de forma compartilhada. Lá, você pode encontrar diversos tipos de negócios para investir. Mas e se o investimento fosse em um imóvel?

Pois foi exatamente com objetivo de proporcionar acesso ao mercado imobiliário que nasceu a Smartcrowd. Com sede na Hive, uma prestigiada aceleradora de fintechs em Dubai, a startup foi criada por dois jovens amigos. Considerado uma das opções de investimentos mais seguras disponíveis no Oriente Médio, o mercado imobiliário era restrito a poucos devido às grandes exigências de capital. Mesmo com os salários altos que os dois amigos tinham no mercado financeiro, eles não viam a menor chance de comprarem, sozinhos, um imóvel, seja para viver ou para investir. Eureka!

Nasce, então, em 2017, a primeira iniciativa de investimento digital regulamentada da região, oferecendo a oportunidade de adquirir uma fração de uma propriedade. Pela plataforma, uma pessoa pode “comprar” um imóvel com investimentos a partir de AED 5.000,00 (dirhams), cerca de R$ 5.600. Por se tratar de uma atividade inédita no país, seus fundadores tiveram que solicitar uma licença especial de funcionamento do DFSA (Autoridade de Serviços Financeiros de Dubai), a licença de teste de inovação. Imaginem só a complexidade para gerenciar a compra e gestão de um imóvel para um grupo de pessoas.

De pouco em pouco, eles vão longe: depois de dois anos lutando para regulamentar a atividade, a empresa já conta com sete imóveis comprados por meio do sistema de financiamento coletivo, totalizando quatro milhões de dirhams (R$ 4,5 milhões). Hoje, eles têm mais de 90 clientes investidores diretos e 1.125 usuários registrados. O mais bacana é que 65% dos compradores já investiram em mais de um imóvel; parece que gostaram!

Eu fiz uma entrevista bem bacana com os simpaticíssimos Ammar Nawaz , diretor de relacionamento com clientes, e Hassan Sheikh, diretor de desenvolvimento de negócios, durante minha última passagem por Dubai e gravei o pitch deles.

Será que funcionaria essa ideia no Brasil? Assistam ao vídeo e tirem suas conclusões, quem sabe pode ser uma grande oportunidade? Com o grande sucesso em Dubai, a Smartcrowd acabou de se graduar como startup, recebeu uma licença internacional e está em busca de novos mercados.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

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