Cidades Mais Inteligentes http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br Mobilidade compartilhada, Inteligência artificial, sensores humanos, internet das coisas, bluetooth mesh, etc. Mas como essa tranqueira toda pode melhorar a vida da gente nas cidades? Mon, 13 May 2019 12:06:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 4ª revolução: quais habilidades farão a diferença nos líderes do futuro? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/05/13/4a-revolucao-quais-hormonios-farao-a-diferenca-nos-lideres-do-futuro/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/05/13/4a-revolucao-quais-hormonios-farao-a-diferenca-nos-lideres-do-futuro/#respond Mon, 13 May 2019 07:00:44 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=573

O Livro:Future-Ready Leadership: Strategies for the Fourth Industrial Revolution lançado no final de 2018.

Para começar nossa discussão, é importante entender uma coisa: antes de tudo, embora tenha um papel social, a liderança tem uma explicação puramente biológica, ela é química. São os nossos hormônios, principalmente 4 deles, os responsáveis por esse mecanismo. É desde a Idade da Pedra, quando os homens começaram a se organizar em grupos para dividir o trabalho, aumentar a segurança e garantir sua sobrevivência, que temos uma sociedade baseada em líderes e seguidores. Deixe-me explicar, então, em qual momento a biologia entra nisso.

Voltando aos bons tempos de escola, vamos relembrar 4 hormônios que provavelmente muitos de vocês já nem se lembram mais: endorfina, dopamina, serotonina e oxitocina. São exatamente eles que, desde sempre, definem os líderes e, principalmente, nos faz segui-los quase que incondicionalmente.

A endorfina tem um objetivo principal: mascarar a dor física. É o hormônio da resiliência. Ele que nos faz seguir em frente sem desistir, mesmo quando estamos nos limites da dor e da exaustão. Por sua vez, a dopamina explode em nossos corpos quando atingimos um objetivo. É o hormônio da recompensa. Quando você acha algo que estava procurando ou completa uma atividade da sua to-do-list, você sente a dopamina. Deliciosa, mas também super perigosa se desbalanceada, a dopamina é uma das principais responsáveis por causar dependência. Bebidas alcoólicas, drogas e até o bipe do celular dizendo que chegou uma mensagem nova liberam dopamina. O que as duas têm em comum? Você não precisa de ninguém para produzi-las.

Já com a serotonina e a oxitocina, é outra conversa! Elas são dependentes das nossas atividades sociais. São hormônios relacionados aos sentimentos de amor, pertencimento, confiança e segurança. São esses dois hormônios que ajudam os líderes a cumprirem seu papel, sua responsabilidade. A serotonina é responsável pelo sentimento de prazer, de orgulho. Por último, a oxitocina é o hormônio que nos proporciona sentimentos de amor, segurança, confiança. Esses dois hormônios estão diretamente ligados às nossas relações interpessoais.

E o que muda na figura do líder nos nossos novos tempos de quarta revolução industrial? Hoje, vivemos uma realidade onde a tecnologia não somente muda a forma de nos relacionarmos, mas também passa a ser parte integrante e, às vezes, preponderante das nossas relações interpessoais. Mando um e-mail para todos ou falo pessoalmente?  “Zapzapo” ou ligo para meu funcionário? Quais os desafios do chamado líder 4.0?

No vídeo de hoje, eu entrevistei o Prof. PhD Chris R. Groscurth, ou simplesmente Chris, como ele prefere, uma das maiores autoridades munidas no tema e autor do livro: Future-Ready Leadership: Strategies for the Fourth Industrial Revolution ( Liderança orientada para o Futuro: Estratégias para a Quarta Revolução Industrial), lançado no final de 2018 e ainda sem data para o Brasil. Entenda por que Presença, Agilidade, Colaboração, Desenvolvimento e Discernimento são as cinco palavras-chave para os líderes de sucesso neste novo mundo 4.0 que estamos vivendo.

Espero que gostem da entrevista e fiquem à vontade para deixarem seus comentários aqui embaixo para mim ou para o professor Chris, teremos prazer em responder. Um grande abraço cheio de oxitocina para todos e nos vemos na próxima semana para mais uma dose de dopaminaSerotonina para todos vocês.

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Made in London: quando a diversidade cultural vira uma vantagem competitiva http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/05/06/made-in-london-quando-a-diversidade-cultural-vira-uma-vantagem-competitiva/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/05/06/made-in-london-quando-a-diversidade-cultural-vira-uma-vantagem-competitiva/#respond Mon, 06 May 2019 07:00:39 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=559

A arte eclética da região conhecida como East London ilustra bem a grande diversidade étnica e cultural da cidade.

O que as pessoas mais sentem falta quando escolhem viver ou trabalhar em uma metrópole? Londres tem uma população de 8,5 milhões de pessoas – mais ou menos como o Rio de Janeiro e a maior em toda a União Europeia (ou pelo menos até quando eles continuarem no bloco) – e é uma das cidades com a maior diversidade étnica no mundo, o que pode ser considerado uma grande riqueza para a cidade, mas também a causa de diversos problemas. O Brexit que o diga! Londres possui uma economia próspera e é um dos ambientes culturais mais ricos do mundo. Apesar de tudo isso, muitos londrinos sentem falta de conexão com sua própria cidade; eles não só sentem que não fazem parte da cidade, mas também não sentem que a cidade pertence a eles.

Durante uma das minhas temporadas em Londres, eu produzi, em parceria com o renomado diretor (e um grande amigo) Micael Langer, um documentário bem legal chamado Making London Small (Tornando Londres Pequena), que mostra como iniciativas de cidades inteligentes podem unir os principais stakeholders urbanos, principalmente os cidadãos, para abordarem questões que dizem respeito ao dia a dia de uma metrópole.

O ponto que gostaria de discutir com vocês hoje é a importância de restaurar o envolvimento do cidadão, o seu verdadeiro sentimento de pertencimento ao ecossistema urbano. Nestas chamadas metrópoles, as pessoas acabam perdendo aquele contato mais próximo de vizinhança, como temos nas cidades do interior, e isso não ajuda em nada o processo de harmonização e integração social que é tão importante.

Em um outro texto recente eu mostrei como projetos de cidades inteligentes não são somente para grandes cidades. Eles podem (e devem) ser implementados também em cidades pequenas, levando o “ar de modernidade” para esses municípios. Aqui, veremos o oposto: projetos de Smart City que ajudam megalópoles como Londres a resgatar aquele fantástico e acolhedor ambiente de cidade do interior.

No final do vídeo fica uma grande reflexão do meu caro colega Froi Lagaspi, um reconhecido líder comunitário londrino: “Se você não está na mesa com os tomadores de decisão (políticos), você provavelmente está no menu”.

Aproveite para dar uma praticada no seu inglês! Mas tem legenda em português também, basta ativar no YouTube, caso necessite… 😉

Espero que gostem. Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

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Será que os empresários brasileiros estão prontos para sair da crise? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/29/sera-que-os-empresarios-brasileiros-estao-prontos-para-sair-da-crise/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/29/sera-que-os-empresarios-brasileiros-estao-prontos-para-sair-da-crise/#respond Mon, 29 Apr 2019 07:00:07 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=550

Em 2019, espera-se uma forte retomada do comércio internacional para o Brasil. Foto: National Freight

Esta semana, tive a clara impressão de voltar no tempo. Com a retomada da economia brasileira, o mercado começa a reagir e, por consequência, os empresários voltam a pensar em investimentos, comércio exterior, competitividade internacional etc. Esse clima de otimismo não está somente acontecendo no Brasil. Aqui na Europa, a percepção de que as coisas melhoraram no país também é grande. Em aproximadamente dois meses, uma delegação de empresários brasileiros realizará uma imersão em Barcelona e Berlim em busca de novas oportunidades e, principalmente, de boas práticas. A ideia é entender a pós-crise europeia e fazer um benchmarking da possível pós-crise brasileira. É exatamente aqui que eu volto sete anos.

Era setembro de 2012, durante o auge do “último milagre econômico” ou, como muitos gostam de dizer, do último “voo da galinha”, quando eu tive a oportunidade de acompanhar um grupo de empresários do setor de material de construção em uma visita à Alemanha. Na época, essa experiência me rendeu um dos meus primeiros textos e um profundo sentimento de que estávamos para ultrapassar um dos maiores mitos do mindset brasileiro: o complexo de vira-lata. 

Vem comigo então nessa recordação: a seleção estava formada e pronta para o jogo. Quatorze dos mais seletos protagonistas mineiros escalados entre vários que buscavam a chance de representar não só o rico estado de Minas Gerais, mas principalmente esta nova potência tupiniquim que todos (bem informados) lá fora idolatram.

Fora de um contexto temporal e literário, o título deste artigo, somado à passagem inicial, poderia até ser confundido com palavras de nosso ilustre Nelson Rodrigues, que na década de 50 usou o termo “Complexo de vira-latas” para definir a postura de inferioridade assumida pelos brasileiros após o trauma sofrido pela derrota na final da Copa de 50 para os uruguaios, em pleno Maracanã. Mas não. Estamos em 2012, agosto, e em plena Frankfurt, Alemanha. Nossos craques aqui em destaque não são os da arte dos gramados que por anos a fio foram sem dúvida a maior, para não dizer a única, representação brasileira no exterior.

“Nosso grupo é um dos maiores da Alemanha e somente esta loja que os senhores estão visitando, das mais de 200 que temos apenas na Alemanha, possui nada menos que 16.000 m² e 105 funcionários”, disse orgulhoso o altivo Dobermann Ariano, encarregado de apresentar sua empresa, iniciando um curto diálogo:

– O senhor, por exemplo, quantos funcionários tem na sua maior loja? – perguntou o alemão visivelmente orgulhoso a um dos “pequenos vira-latas” da nossa querida República das Bananas.

– 650 – responde “humildemente” o representante verde-amarelo.

– Quantos? 150? – indaga de volta, agora com um ar mais surpreso que superior, o alemão.

– Não, o senhor não me entendeu bem. São 650 funcionários em nosso “modesto estabelecimento” de 25.000 m², o mais expressivo dos oito que possuímos, todos especializados somente no segmento elétrico – respondeu o brasileiro. 

Esse diálogo ilustra um pouco o tom da experiência de 10 dias de imersão na Europa, nomeadamente Alemanha e Itália, para conhecer a realidade do mercado matcon (material de construção) na região. 

A riqueza e abrangência da agenda técnica por si só já teria sido suficiente para justificar a iniciativa. Na Alemanha, a análise do mercado local – que na época estava muito orientado às grandes lojas de cadeias locais que têm na esmagadora maioria de seu mix produtos fabricados pela indústria nacional – serviu de exemplo para entender que um planejamento setorial, apoio do governo e uma valorização junto aos consumidores foram os alicerces básicos para a sustentabilidade e fortalecimento desse setor do varejo.

Já os workshops na Itália com duas associações nacionais de revenda de material de construção e ferramentas, somados às visitas a pequenos varejistas e redes locais, deixaram bem claro que somente uma real integração da cadeia de distribuição, onde a indústria soma esforços com o varejo em ações de mercado conjuntas que contam também com a participação do governo, foi fundamental para as pequenas empresas do setor sobreviverem à crise de 2008. Nada diferente da nossa realidade, não acha?

O difícil de mensurar na verdade são os ganhos intangíveis de iniciativas como essas como, por exemplo, o momento quase mágico em que vira-latas do antigo “terceiro mundo” se dão conta do seu real pedigree e se transformam em “neonobres”, objetos de admiração e até inveja dos seus pares “ex-primeiro mundo”. Um verdadeiro orgulho de ser (empresário) brasileiro.

Essas experiências internacionais não somente incentivam a discussão de novas práticas de gestão mas, também e principalmente, proporcionam ao empresário brasileiro a oportunidade de se avaliar e fazer uma releitura da posição de seu negócio em uma perspectiva muita mais ampla que a do seu mercado local.

Estou convencido que vamos iniciar um novo ciclo de prosperidade nacional e, por consequência, de protagonismo internacional.  O Brasil será mais uma vez redescoberto e muito cobiçado pelo mundo. É fato que a nossa tradicional República das Bananas está, mais uma vez, se transformando aos olhos do mundo. Então, é fundamental que nós, brasileiros (governantes, estudantes, empresários, cidadãos) nos despeçamos o mais breve possível desse nosso antigo companheiro imaginário vira-lata que ainda insiste em se esconder no fundo do nosso inconsciente popular.

Temos que nos livrar urgentemente de frases como: “Isso não funciona por aqui” ou “É porque aí é o primeiro mundo”. No Brasil, temos sim tecnologia de ponta sendo desenvolvida e muito potencial humano para fazer muito mais. Vamos lá então! Que venha esse novo ciclo de bonança, pois estamos preparados (espero). 

Só conseguiremos evoluir para o conceito de cidades inteligentes quando tivermos uma mudança na mentalidade da sociedade. Provavelmente, esse seria um bom começo no caso particular do Brasil. Você já conseguiu eliminar ou somente escondeu o vira-lata que existe aí dentro? Participe dessa discussão. Deixe seus comentários aqui embaixo que terei o imenso prazer de responder. Um grande abraço e nos vemos no próximo texto.

 

 

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O Brasil está preparado para abrigar uma cidade startup? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/22/a-oportunidade-da-criacao-das-cidades-startup-no-brasil/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/22/a-oportunidade-da-criacao-das-cidades-startup-no-brasil/#respond Mon, 22 Apr 2019 07:00:39 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=538

O projeto milionário das torres Katara, batizadas como “Espadas Cruzadas”, na região das marinas de Lusail, a cidade inteligente do Catar.

Criar uma cidade nova deve ser, antes de tudo, uma nova história. Assim como nas startups, o segredo é pensar em soluções a partir dos problemas, atentando para as lições aprendidas de outros projetos e focando nas melhores práticas do mercado. Então, por que não pensar em uma cidade startup?

Qual a história (ou estória) de sua cidade? Qualquer cidadão que se orgulha da sua naturalidade deveria ser capaz de responder essa pergunta. Na verdade, independentemente de ser uma lenda ou uma história verídica, as origens de uma cidade acabam por retratar a sua alma, o seu DNA.

Da fábula dos irmãos Rômulo e Remo, que deram origem a Roma, aos mercenários da corrida do ouro do oeste americano que cunharam as origens de São Francisco, as pedras fundamentais de uma cidade não são aquelas físicas, mas sim os conceitos lapidados ao longo do tempo pelos quais os cidadãos se identificam, se orgulham e que dão propósito, sentido, à existência das cidades.

E o que acontece com as cidades novas, aquelas chamadas de greenfield – local onde um novo núcleo urbano é planejado e erguido do zero? Os grandes projetos de cidades planejadas não são novidade (Brasília que o diga!), mas o processo de urbanização com fins comerciais e um forte apelo tecnológico começou a se intensificar a partir do início do século XXI principalmente na Ásia. Foi o começo da era das cidades inteligentes planejadas.

O mais bem-sucedido projeto de Smart City greenfield é Songdo, a utópica cidade futurística planejada na Coréia do Sul que começou a ser erguida em 2002. Distante cerca de 40 quilômetros da capital Seul, o município foi construído em uma área de 600 hectares com um plano urbanístico de dar inveja a qualquer cidade madura. Planejada para comportar mais de 300 mil habitantes, a data inicial de conclusão das obras era 2015, mas foi estendida para 2018 e, mais recentemente, para 2022. Em pleno coração da Ásia rica, a cidade conta atualmente com somente 70 mil habitantes e luta incansavelmente para atrair mais pessoas e empresas.

Songdo não é o único projeto de nova cidade ou urbanização tipo greenfield que está sofrendo para decolar. Masdar, nos Emirados Árabes Unidos, King Abdulah District, na Arábia Saudita, e a recém-inaugurada Lusail, no Qatar, são exemplos de cidades futurísticas quase fantasmas.  Com dinheiro público abundante, vontade política, investidores privados, perfeição no planejamento e na execução, o que está dando errado nesses projetos?

Por terem sido pensadas em um papel e criadas do zero, as novas cidades não têm história, falta um DNA e não há um vínculo inicial entre seus cidadãos; vizinhos não brincaram juntos na infância e nem frequentaram a mesma escola. Assim, as pessoas decidem mudar por incentivos financeiros, mais oportunidades ou menos violência.

O movimento de cidades inteligentes greenfield está começando a ganhar força no Brasil e isso deve aumentar com o aquecimento da economia previsto para os próximos anos. Contudo, são realmente projetos de cidades ou simplesmente empreendimentos imobiliários com uma embalagem “fancy” de cidade inteligente para turbinar as vendas?  Elas conseguirão certamente atrair investidores em um primeiro momento, mas serão capazes de engajar verdadeiros cidadãos? Existe vantagem competitiva de médio e longo prazo nos projetos? Essas são algumas perguntas que devemos fazer ao analisar as propostas.

Criar uma cidade nova deve ser, antes de tudo, escrever uma nova história. A grande vantagem aqui é que nós temos a chance de não repetir os mesmos erros do passado e, principalmente, de minimizar os problemas das cidades já existentes. Devemos pensar em cidades autossuficientes (principalmente economicamente) baseadas nos princípios da sustentabilidade; cidades independentes que sejam fortes por si só e que não precisem de uma “mãe Brasília” completando seus orçamentos com uma mesada mensal. O segredo é pensar em soluções a partir dos problemas, atentando para as lições aprendidas de outros projetos e focando nas melhores práticas do mercado. Lhe parece familiar? Sim, essa é a essência básica das empresas chamadas startups. Então, por que não pensar em uma cidade startup?

O projeto Smart Port Louis visa transformar a capital das Ilhas Maurício em uma Cidade Portuária Inteligente. Foto: DefiMedia

Aqui, entra um conceito que tem sido desenvolvido e implementado desde 2016. Batizado de City SmartUp, ele é mais que um mero jogo de palavras, é a união de dois conceitos atuais: o das Smart Cities (cidades inteligentes) e o das Startups. Na prática, é o repensar de cidades existentes ou o planejar de novas seguindo quatro passos fundamentados nos princípios modernos de empreendedorismo e inovação que encontramos na gestão de empresas startups. São eles: decifrar e potencializar o DNA da cidade; planejar e executar os projetos de forma simples e objetiva; buscar parceiros estratégicos; e mudar a mentalidade do ecossistema através do desenvolvimento de parcerias público-privadas com pessoas (cidadãos), as novas PPPPs.

A questão aqui é que temos que basear o desenvolvimento de novas cidades em argumentos sólidos. Novos conceitos urbanos como o da aerotrópole – uma cidade aeroportuária onde o design, a infraestrutura e a economia estão centrados em um aeroporto – são um bom exemplo de por onde começar. Esse foi inclusive o conceito que fundamentou a criação da cidade coreana de Songdo, citada anteriormente.

A verdade é que um projeto moderno e belo não é suficiente para garantir o sucesso de uma nova cidade. É preciso ter um propósito, uma ideia central que ajudará a escrever as primeiras linhas da história desta nova cidade ou, por que não, as linhas que formarão o código do DNA dessa cidade. A analogia é direta: se na genética moderna a perspectiva de reescrever a sequência do DNA humano está possibilitando sonharmos com uma vida sem doenças, para as cidades, a oportunidade de criarmos cidades planejadas do zero, reescrevendo o DNA urbano defeituoso das cidades atuais, poderá nos levar a um outro nível de qualidade de vida.

Portos, grandes indústrias, centros tecnológicos ou qualquer outro grande projeto de desenvolvimento econômico podem servir como referências para a criação de uma cidade startup. E digo mais: se bem desenhada, ela já nascerá com um pitch matador para os investidores e com um superDNA sustentável e à prova de crises que certamente atrairá muitos candidatos a cidadão. Que venham as greenfields tupiniquins!

Você conhece algum projeto na sua região que poderia servir de inspiração para uma cidade startup? Compartilhe conosco as suas ideias e sugestões. Um grande abraço e até a próxima semana.

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DecorTech: Como a tecnologia é usada para turbinar a decoração da sua casa http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/15/decortech-como-a-tecnologia-e-usada-para-turbinar-a-decoracao-da-sua-casa/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/15/decortech-como-a-tecnologia-e-usada-para-turbinar-a-decoracao-da-sua-casa/#respond Mon, 15 Apr 2019 07:00:56 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=531

O mobiliário robótico que se move criando vários ambientes em um micro local. Foto: Ori Systems

Um bom termômetro de mercado para analisarmos a recuperação de uma economia é, sem dúvida, o mercado da construção. Essa é sempre a minha primeira “análise” quando visito uma cidade pela primeira vez. Vou contando as gruas e construções no percurso do aeroporto ao hotel e bingo! Já dá para ter uma pequena ideia de como as coisas vão por ali.

Hoje, vamos discutir o que está acontecendo em uma das pontas dessa indústria: a arquitetura e decoração. Se por um lado a construção civil está se reinventando para atender esse mercado, por outro, o setor de decoração está tendo de pensar fora do quadrado para acompanhar e, principalmente, monetizar com essa hype!

A tendência das casas compartilhadas, carro-chefe da bilionária “startup” AirbnB, está se multiplicando rapidamente. Está ficando cada vez mais popular nos Estados Unidos e Europa o compartilhamento de casas para moradia. Eu já tinha tocado nesse assunto em um dos textos de mais sucesso no meu Blog. Esse movimento vai além de uma possível economia de dinheiro, tem um caráter de socialização também e já virou um estilo de vida em muitas cidades.

Toda essa mudança está influenciando diretamente a forma que equipamos e decoramos nossas casas. A empresa HomeShare utiliza o conceito de partições para converter salas de estar em quartos de luxo, o que permite aos locatários economizarem de 30% a 40% em relação ao custo de um quarto equivalente. Há também empresas que ajudam os locatários a dividir os quartos instalando “sleeping pods”, como fazem o Haas Living e a PodShare, ou usando as nossas conhecidas beliches, como faz o Rentashare. Ainda nessa mesma ótica de compartilhar espaços, a empresa Everblock oferece literalmente um “lego gigante” que permite a construção de paredes temporárias facilmente.

Como em outros setores tradicionais, empresas no modelo startups estão causando uma grande disrupção no mercado de decoração. O legal é que esse movimento está apenas no início e ainda tem muito espaço para crescer sobretudo no Brasil, onde a recessão dos últimos cinco anos praticamente congelou o mercado da construção e, por consequência, impactou toda a indústria.

Daqui em diante, tudo será uma novidade. No caso do setor de decoração, é muito importante entender as tendências mundiais que estão influenciando o setor da construção civil e as tecnologias que estão sendo desenvolvidas.

O “lego gigante” que permite a construção de paredes temporárias facilmente. Foto: Everblock

Pequeno, modular e bem conectado, esses três adjetivos ilustram bem a tendência das novas construções, especialmente nas grandes cidades. As chamadas microunidades já são bastante populares em regiões com alta densidade demográfica como Nova York e Londres. Esses “micro estúdios” são de 30% a 50% menores do que as nossas conhecidas quitinetes e geralmente estão em bairros com fácil acesso ao transporte público, reduzindo, assim, a necessidade de mais vagas para veículos. Isso  baixa não só o custo da construção, mas também o valor de compra ou/e do aluguel. Em média, essas unidades custam de 30 a 40% menos que uma quitinete no mesmo bairro.

Como encontrar essas áreas disponíveis para construção no centro das grandes cidades acaba sendo uma missão quase impossível. A startup de Chicago Brownfiled Listing  criou uma plataforma (estilo marketplace)  para relacionar os possíveis imóveis disponíveis para conversão em unidades habitacionais. Conhecidos como loft, os apartamentos, que já são muito populares no Vale do Silício e agora estão ganhando o mundo, são antigas oficinas mecânicas, garagens, galpões industriais, armazéns, fábricas etc. que possuem cômodos totalmente integrados, com exceção do banheiro, além de instalações aparentes.

Já existem diversas startups focadas nos pequenos imóveis. A Blokable – startup canadense de Vancouver que já levantou mais de seis milhões de dólares em investimentos –, por exemplo, fez um projeto bem interessante em parceria com uma igreja Luterana em Seattle, nos Estados Unidos, para promover seu revolucionário modelo, tipo lego, de construção em blocos.

Uma das minhas preferidas é a Bumbllebee Spaces. Criada em 2017, em São Francisco, tem como proposta utilizar robôs inteligentes e inteligência artificial para aumentar a área útil e reduzir o espaço de armazenamento, gerenciando objetos sob demanda no teto da sua casa. Louco, não? Já a Ori Systems teve um vídeo que viralizou nas redes sociais com seu mobiliário robótico que se move, criando vários ambientes em um micro local.

A lista de empresas inovadoras no segmento de decoração não para por aqui, eu poderia escrever linhas e mais linhas falando delas. Não podemos esquecer da forte tendência atual: a domótica, ou automação residencial. Eu escrevi sobre isso no texto que apresentei à startup gaúcha Beyond, que está revolucionando o mercado nacional com seus superestilosos interruptores e tomadas 4.0.

Por último, é importante atentar a um novo conceito que estamos chamando de inteligência de bairro. Aqui, entra um, mais uma vez, fator importante inerente aos novos consumidores das gerações Y e Z, nascidos a partir dos anos 80. Para eles, a vizinhança é tão ou até mais importante que a sua casa em si. Todas as tecnologias relacionadas à geolocalização, mapas e plataformas digitais de serviços e entretenimentos estarão cada vez mais presentes no universo do mercado imobiliário.

O universo da arquitetura e decoração era um mundo onde, até pouco tempo atrás, a criatividade e o espírito artístico eram os grandes fatores de sucesso. A tecnologia, como em outras indústrias, passa agora a também ter um papel central nas vidas destes profissionais. O que pode ser visto por alguns como uma grande ameaça, para mim é a grande oportunidade do século para o setor. Podemos contar nos dedos os arquitetos e decoradores brasileiros com renome mundial na atualidade. Com essa mudança, a probabilidade de vermos startups tupiniquins globais aumenta infinitamente. Que venha então a era da decoração 4.0, estamos prontos para brilhar!

Concorda ou não comigo?  Deixe abaixo seus comentários e vamos aprofundar o tema. Nos vemos no próximo texto…

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Veja em 360º: como é o modernoso Centro de Operações do Rio http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/08/veja-em-360o-como-e-o-modernoso-centro-de-operacoes-do-rio/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/08/veja-em-360o-como-e-o-modernoso-centro-de-operacoes-do-rio/#respond Mon, 08 Apr 2019 07:00:25 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=402

Foto: COR Divulgação

No vídeo 360o de hoje visitaremos o Centro de Operações Rio (COR), localizado no Rio de Janeiro e considerado um dos mais modernos do mundo.

O Centro de Operações Rio (COR) é um dos grandes legados das Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Idealizado e inaugurado em dezembro de 2010, seis anos antes dos Jogos Rio 2016, o prédio funciona como um quartel-general de integração das operações urbanas no município. Cerca de 30 órgãos (secretarias municipais e concessionárias de serviços públicos) estão integrados ao edifício para monitorar a operação da cidade e minimizar seus impactos na rotina do cidadão ou durante a realização de grandes eventos.

Durante 24 horas por dia, nos sete dias da semana, o COR busca antecipar soluções, alertando os setores responsáveis sobre os riscos e as medidas urgentes que devem ser tomadas em casos de emergências, como chuvas fortes, deslizamentos e acidentes de trânsito. Para tornar isto realidade, mais de 500 profissionais se revezam em diferentes turnos auxiliando o monitoramento da cidade.

Te convido a visitar o projeto comigo, através do vídeo 360o que gravei com o Alexandre Cardeman, CEO do COR, e que me mostrou as futurísticas instalações deste que é considerado um dos centros de operações mais modernos do mundo.

A ideia é proporcionar a todos uma experiência imersiva completa, por isso, o vídeo foi gravado no formato 360 graus, com tecnologia 3D e áudio espacial, o que significa dizer que você terá a impressão de estar caminhando comigo. O vídeo pode ser assistido diretamente na tela de seu computador ou no seu smartphone.

A princípio, você não precisa ter óculos de realidade virtual (RV) para assisti-lo, basta dar play e girar seu celular durante a execução para ver todos os ângulos, como se estivesse lá comigo. Mas, para ter uma verdadeira experiência imersiva, eu aconselho usar os óculos de RV e um fone de ouvido. Atualmente, já é possível comprar versões bem econômicas desses óculos online, por cerca de 30 reais.

O que você acha disso tudo? Deixe abaixo seus comentários e compartilhe conosco sua opinião. Grande abraço e nos vemos na próxima semana.

 

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Você está pronto para a nova era de ouro do mercado imobiliário? http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/01/voce-esta-pronto-para-a-nova-era-de-ouro-do-mercado-imobiliario/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/04/01/voce-esta-pronto-para-a-nova-era-de-ouro-do-mercado-imobiliario/#respond Mon, 01 Apr 2019 07:00:35 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=511

Tecnologias de ponta estão criando um novo setor imobiliário. Foto: Ikea

Existe uma forte percepção no mercado nacional e internacional de que a economia brasileira está se recuperando. Vários indicadores macro confirmam essa tese. Talvez não tão rápido como se pensava (ou como nós queríamos), mas seguramente estamos em uma espiral ascendente. A economia está melhorando e é só o começo!

A última pesquisa do mercado imobiliário, por exemplo, publicada neste mês (março de 2019) pelo Sindicato da Habitação – Secovi-SP, apontou que no acumulado de 12 meses (fevereiro de 2018 a janeiro de 2019), houve um aumento de 20,9% na comercialização de apartamentos novos em comparação ao mesmo período de 2018. As boas notícias desse setor não são exclusividade de São Paulo. Em uma conversa com a presidente da CMI/Secovi-MG, Cássia Ximenes, ela me disse que as vendas de imóveis em Belo Horizonte tiveram, em 2018, um desempenho aproximadamente 5% maior do que em 2017. Segundo ela, os empresários mineiros estão super confiantes que 2019 e 2020 serão anos ainda muito melhores. Que venha a bonança.

Hoje, vamos focar exatamente no setor imobiliário e já vai a primeira dica para os mais experientes: esqueça tudo que você acha que sabe sobre esse mercado. Dos projetos arquitetônicos, passando pelos métodos de construção até as estratégias de comercialização, tudo está mudando. Estamos sim entrando em um novo ciclo de prosperidade do setor imobiliário, mas completamente diferente do que foi no passado. Entramos na era das chamadas PropTechs – empresas (startups) de tecnologias relacionadas à comercialização e gestão de propriedades.

Estamos vivendo um boom do conceito “tudo-como-serviço”. Eu abordei em outro texto esse conceito aplicado ao setor da mobilidade também conhecido como MAASmobility-as-a-service ou mobilidade como um serviço. Mais do que uma tendência, esse é o reflexo do estilo de vida das novas gerações. Este novo consumidor está disposto a pagar mais por soluções do que necessariamente pelo direito de propriedade de um bem. Surge agora, então, o conceito da moradia-como-um-serviço, fortemente influenciado pelos fundamentos da badalada economia compartilhada, a mesma que norteou o surgimento da Uber, gigante global do MAAS.

No caso do setor imobiliário, ainda temos muito caminho pela frente no tocante ao uso de novas tecnologias, o que é muito bom. Isso significa que existem provavelmente mais oportunidades que ameaças por vir. A chave para o sucesso aqui é compreender e, principalmente, incorporar rapidamente essas novas tecnologias no seu negócio. O melhor de tudo, é que a maioria delas já está disponível no mercado para utilização.

Com tanta coisa nova acontecendo, é importante não perder o foco. Se você atua no nesse setor, eu apostaria em três principais tendências tecnológicas para manter no seu radar em 2019/2020:

  1. Realidades mistas: a realidade virtual, a realidade aumentada e o uso de vídeos em 360 graus já são tecnologias não somente disponíveis no mercado mas, principalmente, economicamente acessíveis. Melhorar a experiência de consumo para os clientes tem se tornado um fator crucial para o sucesso das empresas em diversos setores, incluindo o varejo. No segmento imobiliário não seria diferente.

Com pouquíssimo investimento, empresários do setor podem conseguir uma grande vantagem competitiva, especialmente entre os clientes mais jovens. Aqui, entra um aspecto importante inerente aos novos consumidores das gerações Y e Z – aqueles nascidos a partir dos anos 80. Para eles, o processo de compra está diretamente relacionado a uma percepção de pertencimento e propósito, não importando se estão em busca de um tênis ou um apartamento para alugar.

É exatamente aí onde as realidades mistas podem representar uma excelente oportunidade para reforçar as estratégias comerciais. A realidade virtual, por exemplo, pode ajudar a criar situações em que clientes interagem virtualmente com o produto, aumentando não somente a abrangência geográfica de uma promoção comercial, mas também o número de potenciais clientes. Essas novas ferramentas nos permitem ir mais além do que simplesmente tours virtuais. Integrando tecnologias simples (e gratuitas) como Google Earth ou Street View, é possível oferecer uma interação virtual com todo o ecossistema local do bairro onde o imóvel está localizado.

  1. Marketplaces: a simples presença digital já não é mais suficiente para o sucesso no setor imobiliário. Ter somente uma página bela na internet é igual ter um fantástico hotel em uma ilha paradisíaca, mas que ninguém sabe dele. Não basta! Plataformas conhecidas como marketplaces – especializadas na divulgação de anúncios imobiliários – já estão bastante populares mundo afora.

O sucesso da plataforma imobiliaria.it é um exemplo claro como, mesmo em mercados super tradicionais como o Italiano, o marketplace on-line é importante. E atenção: Facebook, WeChat e Ebay, que a princípio não têm nenhuma relação com o mercado imobiliário, também já partiram nessa direção. Acho que nem preciso citar o gigante indomável e super polêmico Airbnb, né?!

Esse modelo de negócio de marketplace já aconteceu no mercado de automóveis e impactou bastante os negócios das concessionárias e pequenas revendas. Chegou a vez do mercado imobiliário e a tendência é de crescimento exponencial. Exatamente como em outros setores, no final será o consumidor a decidir onde, como e com quem negociar sua próxima casa, deixando no final da operação sua importante e temida avaliação on-line.

  1. Blockchain: embora seja ainda uma tecnologia considerada nova e pouco utilizada na prática, o blockchain é apontado como uma das soluções que mais irá impactar o setor imobiliário. A tecnologia, que começou a ficar conhecida em função das super (des)valorizadas moedas digitais como o Bitcoin, vai muito além da sua aplicação no mercado financeiro.

Também conhecido como “protocolo da confiança”, o blockchain é uma tecnologia baseada no conceito de registro distribuído e sincronizado em uma rede de computadores com protocolos focados na descentralização como medida de segurança e transparência. Ainda é um pouco difícil de entender, né? Relaxa, é para todo mundo.

O órgão regulador chamado Smart Dubai, sob a supervisão direta do príncipe herdeiro de Dubai, já está implementando a rede de Blockchain na cidade. Imagem: Coin Delite

Sabe toda aquela burocracia chata de cartórios, certidões, registros, bancos? Esqueça! Mais que facilitar e desburocratizar todo o processo, com o blockchain será possível também mudar a forma de comercialização de um imóvel. Na prática, especialistas estão prevendo que será bem fácil negociar parcialmente os direitos e títulos de propriedade de qualquer imóvel no futuro. Tipo assim: posso comprar 31,89% do seu apartamento por 18 meses? Sim, claro, aqui vai… como você quer pagar? E um ou dois cliques depois a operação está realizada.

A tecnologia é tão revolucionária e promissora que governos estão iniciando projetos para usá-la como uma espécie de ferramenta contra a corrupção. Os Emirados Árabes Unidos querem ser o primeiro país com uma gestão pública 100% baseada em blockchain. E olha que eles estão quase lá. Dubai já é considerada uma das cidades mais avançadas do mundo no uso dessa tecnologia.  O órgão regulador chamado Smart Dubai, sob a supervisão direta do príncipe herdeiro de Dubai, já está implementando a solução de Blockchain na cidade.

Bem, eu poderia ainda falar de inteligência artificial, análises preditivas, construção com impressoras 3D, big data e uma dezena de outras novas tecnologias que, direta ou indiretamente, irão influenciar o mercado imobiliário. Fica para um outro texto. A dica final é: fique esperto! Esse mercado vai se transformar do dia para noite, trazendo uma grande onda de comodidade para os consumidores e, principalmente, de pro$peridade para os mais antenados. Boa sorte!

Como está o mercado imobiliário na sua cidade? As novidades já chegaram por aí? Participe dessa discussão deixando a sua opinião pessoal aqui embaixo.  Prometo que responderei a todos os comentários, como sempre. Nos vemos no próximo texto.

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Você acha que o nosso trânsito é caótico? Relaxe, você ainda não viu nada http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/03/25/voce-acha-que-o-nosso-transito-e-caotico-relaxe-voce-ainda-nao-viu-nada/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/03/25/voce-acha-que-o-nosso-transito-e-caotico-relaxe-voce-ainda-nao-viu-nada/#respond Mon, 25 Mar 2019 07:00:03 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=489

O “Big Brother” da mobilidade urbana: informação em tempo real de dentro dos ônibus e dos táxis. Foto: UYM – Traffic Control Istanbul

Hoje vamos continuar a minha aventura pelas ruas da capital do glorioso Império Otomano – Istambul, a metrópole de quase 200 km de extensão, que divide os continentes europeu e asiático, e tem um dos piores trânsitos do mundo. Estima-se que os residentes gastem em média 50% a mais do tempo normal de deslocamento em longos engarrafamentos diários, perdendo somente para Bangkok (57%), na Tailândia, e para a Cidade do México, com 59%.

E como o Brasil se compara a isso? Se engana quem pensa que estamos tão longe desses números. Nosso querido (e sofrido) Rio também se destaca neste ranking, com 47%, seguido por Salvador e Recife, com 43%, segundo o relatório de 2016 da empresa Merrill Lynch. Confesso que senti falta de São Paulo, Mumbai e Nova Deli, na Índia, e de Dhaka, capital de Bangladesh, no mapa global, mas já dá para ter uma ideia de que o caos no trânsito urbano não é um problema exclusivo das cidades tupiniquins.

Aproveitamos a passagem por Istambul e visitamos o Centro de Controle de Transporte Urbano da prefeitura de Istambul. Embora bem menor que o COR – Centro de Operações do Rio de Janeiro – do Rio de Janeiro em relação ao tamanho das instalações, o Centro faz parte de um hub de 4 centros de controle pertencentes ao município.

Imagem: Slides Grupo Seixas

No total, eles já contam com quase 2.000 câmeras de trânsito e impressionantes 6.000 câmeras dentro dos veículos de transporte públicos: ônibus, vans e táxis. Um verdadeiro “Big Brother” da mobilidade urbana. Fomos recebidos pela superssimpática, Ayşegül Çalışkan, coordenadora do centro, que nos mostrou a operação e revelou um pouquinho dos segredos desse projeto.

O mais interessante aqui é que a tecnologia foi 100% desenvolvida (tanto hardware, quanto software) pela empresa de tecnologia do município chamada ISBAK. Trata-se de um modelo de empresa pública, mas com fins lucrativos, que pode vender suas soluções de sucesso e que está cada vez mais popular. Já imaginou se nossas cidades no Brasil pudessem também vender suas boas práticas e ideias? Teríamos, provavelmente, funcionários públicos supermotivados, trabalhando em ambientes no modelo StartUp e melhor ainda: comissionados e com participação nos lucros! Você acha que funcionaria no Brasil?

Assista então ao vídeo 360º exclusivo que eu fiz “infiltrado” no coração do Centro de Controle de Transporte Urbano de Istambul. Aproveite também para dar uma praticada no seu inglês, você vai ver que é mais fácil de entender do que você imagina! 😉

Se você conhece algum modelo semelhante no Brasil ou gostaria simplesmente de compartilhar suas ideias, deixe seus comentários abaixo e terei muito prazer em respondê-los – a todos, como sempre.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana diretamente dos confins deste mundão supertecnológico e definitivamente sem fronteiras!

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Conheça a cidade onde crianças já estão programando aos 7 anos de idade http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/03/18/conheca-a-cidade-onde-criancas-ja-estao-programando-aos-7-anos-de-idade/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/03/18/conheca-a-cidade-onde-criancas-ja-estao-programando-aos-7-anos-de-idade/#respond Mon, 18 Mar 2019 07:00:09 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=486

120 alunos da rede municipal de ensino frequentam diariamente o centro. Foto: IBB – Prefeitura Municipal de Istambul

Como bom carioca que sou, concordo plenamente com os que dizem que o Rio de Janeiro é uma das cidades mais belas do mundo, mas vamos ser sinceros: a lista é grande! E neste elenco global de cidades maravilhosas, há certamente um lugar bem lá no topo – a bela, milenar, tradicional, mística, imensa e caótica Istambul!

Se você fez seus deveres de casa na época da escola, deve ainda se lembrar da capital oriental do Império Romano: a legendária Constantinopla. É a única cidade do mundo com seu território cravado entre dois continentes: Europa e Ásia! Já deu para perceber que eu sou apaixonado por essa cidade, não é?

Hoje você conhecerá um projeto fantástico coordenado pela prefeitura de Istambul em conjunto com a empresa (pública, mas com fins lucrativos) de tecnologia ISBAK. Este modelo de negócio de empresa pública que pode vender soluções está cada vez mais popular, principalmente na Ásia.

Visitamos o City Lab da cidade, construído dentro de uma estação de metrô, que segue bem o estilo “vale-siliciano” de hub de inovação. Mas a grata surpresa foi descobrir um projeto de educação digital para crianças. Funciona mais ou menos assim: seu filho de 7 anos vai para lá junto com a classe da escola e ao invés de jogar on-line ou assistir a vídeos, ele aprende a criar seu próprio desenho animado… e assim o tempo passa e com 9 anos ele já está programando e aprendendo robótica avançada, e aos 15 está pronto para as aulas de Empreendedorismo. E tudo isso no belíssimo modelo 0800!

Achou legal? Ficou interessado(a) em conhecer melhor? Então você não pode deixar de assistir ao vídeo 360º que fiz conhecendo as instalações e batendo um papo com o Sr. Gokce Birgin, diretor do projeto. Aproveite também para dar uma praticada no seu inglês! Mas tem legenda em português também, basta ativar no Youtube caso necessite… 😉

Espero que gostem e deixem seus comentários. Nos vemos na próxima semana direto de algum lugar do outro lado do (seu) mundo!

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País do futuro? Está nascendo a 1ª região supertecnológica do Brasil http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/03/11/esta-nascendo-a-primeira-smart-region-regiao-inteligente-do-brasil/ http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/2019/03/11/esta-nascendo-a-primeira-smart-region-regiao-inteligente-do-brasil/#respond Mon, 11 Mar 2019 07:00:55 +0000 http://cidadesmaisinteligentes.blogosfera.uol.com.br/?p=407

Um dos maiores centros de pesquisa em tecnologia do Brasil fica em São José dos Campos, localizado na Região Metropolitana do Vale do Paraíba. O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) é uma instituição de ensino ligada à Aeronáutica.

Depois de quase um ano discutindo o conceito de Smart City neste blog, você já deve ser quase um expert no tema, certo? Mas você já ouviu falar em Smart Region, ou regiões inteligentes?

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (ou RMVale) foi criada (legalmente) em janeiro de 2012 e constitui uma das seis regiões metropolitanas do estado de São Paulo. É formada pela união de 39 municípios. Devido à proximidade com a cidade de São Paulo, os municípios da região acabam sofrendo uma concorrência direta com a capital no que tange à atração de investimentos (públicos e privados) para projetos de tecnologia.

Este foi exatamente o mesmo problema que motivou a criação do projeto SmartCatalonia, um dos primeiros projetos mundiais de Região Inteligente, que envolve os municípios vizinhos à cidade de Barcelona. O mesmo conceito foi desenvolvido também em Cingapura com um grande resultado. A Índia e a Romênia estão investindo em projetos de integração e investimento em soluções tecnológicas no âmbito nacional chamados de Smart Nation.

Fomos até Taubaté para o lançamento do projeto no mês passado (fevereiro de 2018) e tivemos a oportunidade de conversar com Rodrigo França, CEO do Instituto I.S de Desenvolvimento e Sustentabilidade Humana e um dos idealizadores e atual coordenador do Smart RM Vale. O mais bacana deste projeto é exatamente o fato de ter sido idealizado e estar sendo coordenado por uma empresa do terceiro setor.

Te convido então a assistir o vídeo da entrevista que fizemos com Rodrigo direto da antiga Estação Ferroviária de Taubaté (Estação do Conhecimento), uma grata surpresa que não estava prevista no roteiro! Ficou curioso 😉 ?

O que você acha disso tudo? Sua cidade também faz parte de alguma região ou consórcio local? Deixe abaixo seus comentários e compartilhe conosco sua opinião. Grande abraço e nos vemos na próxima semana.

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